terça-feira, janeiro 01, 2008

2008 e a critica .

1- O ano já tem muito de velho. Como bem dizem os Moçambicanos: camarão que dorme a onda leva. E ninguém ousa dormir, porque a vida não deixa, o coração bombeia, o cérebro "enche-se" de oxigénio e pensa. E essa magica bolha de oxigénio, quem diria, que do "ar" que respiramos e inspiramos pensamos na mais íntima, bela e complicada "coisa" para entreter nossa preguiça do primeiro dia do ano. O ano já tem muito de velho. Acordamos para um novo ano e já somos cidadãos de uma integração regional, mas ainda não sabemos se estamos integrados pela boca ou pelo nariz. Afinal a integração regional depende de papilas gustativas na língua e de receptores de odores no olfacto. E não é uma questão de gostos e cheiros?

2- E a critica fica “aonde” no primeiro dia do ano? Pensava com a minha preguiça. “A critica é importante” parece que ouvi isto varias vezes. Não no mesmo lugar. Os lugares mudam-se, mas fica-se com o hábito. Dentro destas belas reflexões que tenho saboreado na blogsfera Moçambicana, descobri que tudo não passa de gostos e cheiros. A crítica é isso, saber reflectir e falar dos teus cheiros e gostos. A medicina ensinou-me que na superfície da língua existem dezenas de papilas gustativas, cujas células sensoriais percebem os quatro sabores primários: 1) amargo, (2) azedo ou ácido, (3) salgado e (4) doce. E quando misturados produzem sabores distintos. Assim, aprendi na blogsfera, com ajuda da língua, a classificar as várias reflexões usando o esquema de quatro sabores primários.

3 – Tudo é uma questão de sabores e cheiros. Estamos integrados. E na crítica e no debate. Resolvi, reflectir sobre a ideologia dos sabores e cheiros. Sim! Porque não? Afinal a esquerda e ou a direita também resultam desta aprendizagem para categorizar sabores e cheiros. Como humanos podemos detectar 20 000 odores diferentes. A maneira com que cultivamos esses odores, pode conduzir-nos a varias categorizações, que não cabem só na categoria de esquerda ou de direita. Mas deve haver ai um segredo, como animais. Porque somos apesar de andarmos só com duas patas, animais. Estes utilizam esta capacidade do olfacto para se relacionarem com o meio e comunicarem com outros seres vivos, podem emitir vários sinais para deixar rastos, marcar território, definir hierarquia social, o sexo ou a disponibilidade de reprodução. Ser de esquerda ou de direita para animais não passa de uma orientação, de espaço do que de ideologia.

4 – Nos que crescemos num subúrbio, onde o nosso território, ou hierarquia social, estava delimitado por um zinco, descobrimos que os cheiros pertencem a muitos, mas o sabor a alguns. Aprendemos com o olfacto, a mapear o mundo a nossa volta. O cheiro que saia da casa da/o vizinha/o permitia-nos definir a hierarquia social, a disponibilidade emocional e financeira do vizinho. Com o cheiro podia instrumentalmente categoriza-los em “folgados” e em “desenrascados”. E na base de cheiros muitos tornaram-se videntes, feiticeiros, “os que tem”, e “os que não tem”.

5- Estamos integrados. A ideologia é isso. Estar ligado a “isso”. Existem varias explicações e definições de ideologia. A esquerda ou direita, não passam de uma busca constante a “isso”. “Isso” ninguém vai-te explicar direito o que significa, porque ninguém sabe, faz parte dos 20 000 odores diferentes que tanto nos humanos e animas mamíferos e insectos procuramos. Uma bússola, para orientar nosso mundo, conhecer melhor a tua ou teu vizinha/o, se ela é “folgada” ou “desenrascada”.

6- Os meus companheiros da blogsfera seleccionarão figuras do ano, “fiquei” em pânico, porque não tenho critérios credíveis para seleccionar a figura do ano. Mandei os critérios a... e resolvi faze-lo também. Eis os nomeados: Carlos Serra (rebenta minas! Faz-me lembrar os militares-condutores de camiões militares no tempo de guerra civil, não havia tempo para aprender inversao de marcha com os famosos “madjedjes”, para frente é que era o caminho, o guru do estudo do social em Moçambique); Elísio Macamo (ser académico e intelectual não é brincadeira não! Com carapau ou repolho, ou frango do Brasil, ciência é ciência); Patrício Langa (para tudo precisamos de ser irreverentes e dispostos para o debate, um dos melhores jovens intelectuais e académicos que Moçambique tem); Ilídio Macia (um dos melhores curandeiros da modernidade e com mais actualizações o pais sai a ganhar); Egídio Vaz (o curandeiro da modernidade numero 1, o melhor activista bloguista a moçambicana); Bayano Valy ( o curandeiro da modernidade numero 2, afinal a liberdade de expressão não e tudo, precisa-se de jornalismo serio); Eugenio Chimbutana (um dos melhores curandeiros da modernidade, o melhor suplemento económico da blogsfera); Ouri pota (o cafe cultural na blogsfera, depois de Marcelo Panguana, Nataniel Ngomane, Felimone Meigos, Guilherme Mussane, Rogério Manjate, aqui esta um jornalismo cultural promissor); Stayleir Marroquim (o curandeiro da modernidade numero 4, o legislador que se cuide, existe gente aqui que pensa e argumenta); Basilio Muhate (com mocambiqueonline, uma contribuição valiosa ao debate de ideias e convívio de diferenças), Opais online e canal de Moçambique (o melhor que se fez em edição online de noticias); Rogerio sitoe (pelas suas opiniões na rubrica conjunturas, no jornal noticias); Radio Moçambique - emissores provinciais (pelo serviço que presta as comunidades rurais, com informação e entretenimento em línguas nacionais, um bem publico precioso e indispensável para o pais); Café-bar Gil Vicente e núcleo de arte (o ponto de referencia das artes em Maputo); Parque nacional das Quirimbas (o turismo comunitário esta a mudar a vida e a face da ilha do IBO, um conceito de turismo que pode mudar a vida de muitos moçambicanos); Banda kakana (como banda de afro-jazz, sempre brindou-nos com o melhor que se produz de talento jovem na praça); Mutumbela Gogo (voltou a ser o santuário do bom teatro); Desportivo de Maputo (o melhor clube da actualidade, um santuário de talentos, com uma das  melhores escola de jovens); Liga dos direitos Humanos (um trabalho excelente de assistência jurídica e paralegal a moçambicanos nas comunidades urbana e periurbana de Moçambique, uma equipe extraordinária de jovens profissionais); fundação agha khan (um trabalho excelente de apoio a centros de saúde e escolas primarias na melhoria da qualidade de serviços em alguns distritos de Cabo Delgado);

8 – e o ano comeca, feliz novo ano a todos leitores do chapa100.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

la famba bicha 20 - pha karingana 2

1- Ainda nesta senda de debate e observações sobre a moçambicanidade e seus contornos no imaginário do moçambicano, convido os leitores do chapa100 a deliciarem-se deste texto retirado neste blogue.

2- A primazia do indivíduo sobrevive na construção do “outro”, na busca de lugares comuns, usando os estímulos do emocional ou do cognitivo. No último post falávamos da competência, da sua importância, para lidar-mos com o diálogo do mundo social. A maioria das competências por nos usadas resultam da convivência social num espaço cultural determinado.
O espaço cultural foi e é sempre polémico. As fronteiras da cultura delimitam os espaços de negociação da nossa visão do mundo, as vezes com mais intensidade ditadora, outras com mais diálogo democrático. Como enquandrar o exercício de desabafar no espaço cultural moçambicano? Existe uma condição cultural para o desabafo?

Existem aqui questões culturais, relacionadas com o ritual do uso da língua e a cultura acústica que acompanha nosso pensamento dialogante, que podem permitir formular melhor as perguntas acima referenciadas.
Li já faz muito tempo um ensaio de Barthes “ The rethoric of the image” (1984) que foi uma grande contribuição para o estudo da significacao da imagem fotográfica na construção do “outro”. Barthes estuda no seu ensaio os processos internos de significação e trás várias questões em relação ao diálogo entre o nível denotativo e nível conotativo. O desabafo não sendo uma imagem fotográfica, como nos sabemos, não deixa de sofrer a mesma influência denotativa ou conotativa por parte de quem presencia um desabafo.
A busca do nível denotativo no desabafo seria procurar a sua razão e função objectiva, analisando os elementos básicos que o definem como desabafo. Entao que razoes objectivas sao essas que podemos identificar fora do ritual da lingua e da cultura acustica, que permitem determinar qual dos desabafos é bom ou mau.


terça-feira, dezembro 25, 2007

homenagem a Cuvilas

Este Dezembro. Morreu baleado o coreógrafo, bailarino e professor Augusto Cuvilas. Foi morto por uma bala, vinda de um policia. Cuvilas pediu socorro, e foi socorrido roubando-lhe a vida. Digo roubando, porque esta morte representa para muitos que conviveram com Cuvilas um roubo, igual a muitos que temos sofridos nesta cidade de Maputo. Escrevi num dos post como rouba-se a vida em Maputo.
Conheci Cuvilas como um jovem de bom gosto, estas coisas discutíveis na vida, mas na arte muito apeticiveis. Maputo tem esta magia de ser uma aldeia para jovens amantes e fazedores da arte, todos inspiramo-nos debaixo do mesmo sol, da mesma acácia, do mesmo bocado de conversa e de acontecimentos artisticos que acontecem no dia-dia. Cuvilas estava sempre onde aconteciam coisas boas, a sua presenca servia de um enunciado de uma noite maravilhosa, artisticamente trabalhada, original no sentido de que emprestava de nos um singular soneto de sentidos numa multidão de olhares e movimentos. Assim, aprendi com Cuvilas a respeitar as pequenas catedrais de arte, onde religiosamento falavamos deste ego que acompanha os artistas. Um ego que tem de igual uma barriga de cegonha, cheia de fantasia, e de uma realidade que so pertencia a cada um de nos, os artistas. Nessas pequenas catedrais, aprendemos a trabalhar nossa inspiração na musica, na escrita, na dança, na pintura, na escultura, no cinema. E Cuvilas escutava mais do que falava, era esse o seu sentido de observar, para ele interessava a nossa mímica, nossos gestos intermitentes, voadores, para expressar nossa fala.
Por isso, tristemente, recordo-me dos seus espectáculos, da invulgar forma de invadir nossa realidade, com movimentos tão seguros de ritmos e pureza, da sua rasta musculosa como os braços que contornam a sombra da luz. A intensidade com que trabalhava a dança africana, mostrando a indiscutível beleza que nossas danças tem para falar do mundo. Assim conheci Cuvilas. Deixou-nos com uma quantidade de coisas para catalogar, escrever e fazer dos palcos o mundo dos vivos.

Cuvilas, vai com paz e poderemos talvez se uma bala deixar, continuar aqui nas pequenas catedrais que tu bem deixaste.

Veja nos próximos post do blogue mãos de moçambique, uma homenagem a vida e obra deste jovem bailarino e coreografo.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

La famba bicha 19 - pha karingana 1

O contacto social requer competências, alguns chamam de habilidades sociais. Vezes ha que confundimos essa competência como um dom, uma característica de génios. Numa definição patológica, uma pessoa é normal quando consegue iniciar um contacto e terminar-lo, comunicar, dialogar, exigir, pedir ajuda, oferecer ajuda, procurar trabalho, iniciar relacoes, iniciar uma família, cuidar e educar crianças/filhos. Todas estas características do homem normal requerem competências que nao sao adquiridas de forma automática, aprendemos sobre elas imitando os vários modelos sociais que connosco interagem na vida de criança e adolescência. Quando adulto, assumindo vários papeis sociais, descobrimos que muita destas competências que nos fazem individuos normais nao estão presentes em nos. descobrimos que somos deficitários, incompletos ou mesmo ausentes.O deficit destas competências influencia a nossa relação com o mundo social. E como adultos procuramos remediar ou adicionar o que falta das nossas competências. Por isso a sociedade "inteligente" inventou e proporciona vários cursos especializados de aumento e aprendizagem de competências sociais, biológicas e económicas deficitárias.

A questão que colocamos, na vivência do mundo adulto, relaciona-se com a nossa competência para dizer certas coisas, transformar coisas "intimas" em publicas. E ai a questão coloca-se: como comunicar o nosso pensamento, o seu sentido humano, a nossa fala pessoal em um pensamento dialogante, capaz de expressar e comunicar sobre "outros" e sobre as "coisas" numa esfera publica como a nossa. E porque que algum pensamento dialogante pode ser uma critica social e outro "pensamento" um desabafo? que competências a nossa sociedade oferece para que produzamos diálogos fora do senso comum? E este exercício de dialogar deve resultar num eclipse da razão? E como identificamos verdades simples, sera so verdade que constroi-se no processo dialogante?

Com esta pequena reflexão nao pretendo negar a existência de outros espaços “avançados” onde certas verdades e competências argumentativas sao produzidas e rotuladas. O que intrigou a minha reflexão foi o exercício rápido como alguns círculos aceitaram a critica feita ao álbum e as letras do azagaia como um desabafo. Durante a adolescência o desabafo foi aprendido como um exercício de libertação espiritual e físico. Estava ausente qualquer teoria de ciência terapêutica ou psicoanalitica que sustentasse o recurso ao desabafo para libertar-se de algo. O desabafo podia ser um exercício de demonstração de competências argumentativas ruidosas, como também servia para mostrar uma socialização de competências sociais para aliviar ou libertar "magoas" sociais. O exercício de desabafar na sua maioria, estava ligado a um ritual bem interiorizado de libertação de sentimentos negativos, intermitentes ou bloqueadores da realização espiritual ou material.

E neste exercício foram criadas varias categorizacoes do desabafo, o desabafo bom e ou o desabafo mau. Os critérios para esta categorização nao foram escolhidos dentro de um pensamento terapêutico, ou de realização individual. Aqui nao interessava a libertação do individuo, mas os espaços e as pessoas atingidas pelo desabafo. Esta categorização surgiu nao como um exercício neutro de categorização subjectiva, mas como uma expansão dos mecanismos de controle social, incluindo seus rituais e instituicoes, para espaços ate então considerados íntimos, individuais. Esta categorização também vem legitimar a entrada deste exercício individual de desabafar para espaços públicos.
Como mencionado anteriormente, a maneira como lidamos com as coisas do fórum individual e publico, mostra o nível de competências que temos. A competência realiza-se na maneira como armamos o espaço cognitivo e emocional do individuo. O desabafo, nao escapa a influencia destes dois espaços. Então o desabafo, nao resulta de espaços neutros, ele responde a chamamentos emocionais ou cognitivos. O próximo post talvez, reflectiremos sobre os espaços emocionais, que temos na nossa esfera publica. Uma relação humorística e picante caracteriza a maneira como descrevemos “o produto dialogante” resultante do casamento entre o espaço cognitivo e espaço emocional. Assistimos a expressoes do "quotidiano dialogante", tais como: este individuo espalha-se muito, nao diz coisas com coisas, falou bem mais saiu da estrada, pela boca morre o peixe, etc.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

a vida sem mais 1

ouripota, vera gomane e patricio langa (o silencio que fala)
Um país conhece-se na imaginação que temos dele. A sua geografia é explorada no passeio longo que nossa curiosidade experimenta, no diálogo com os livros, lugares, noticias, contos e alguns desencontros humanos. Estes passeios são tão profundos como o primeiro passeio com uma mulher. Somos estrangeiros da nossa própria vida. E não é a beldade que nos inquieta mas a desorganizada manifestação que nossos sentidos tomam. A bússola que desconhece o bocadinho que já é amor.
Na imaginação do país perfeito, longínquo e curioso, fui na geografia do meu chamanculo criando países de sonho. Não havia outra sonda mais íntima que a enciclopédia e a página internacional do jornal Noticias e da revista tempo para aperfeiçoar o conhecimento destes desconhecidos lugares, noticiados como países. Assim como no amor, não amei-os com a mesma intensidade que caracterizam os lugares-mulheres do sonho. Os países inesperadamente foram criando alianças e jogos de curiosidade, numa altura onde a minha percepção do mundo, girava a volta do mercado de Xipamanine.
Não havia outro armazém de sonhos tão perfeito como o sinfónico mercado, com suas bancas historicamente desorganizadas pelo preço do repolho e do carapau. Eram tempos bons, pelo menos as classes sociais estavam no diálogo constante na construção de homem novo: ou carapau ou repolho ou nada. O orgulho do homem novo estava nessa sinfónica forma, de inventar novos sabores repolhados se não carapawados.
E neste namoro com leituras sobre os outros, descobri quatro países. Assim eram denominados, países. E não lugares ou bairro, como o meu chamanculo. Como na história a descoberta é descrita com ideias de cisne romântico, onde os lugares descobertos só existem porque alguém devolveu-lhes acções performativas para ser mundo. Por isso neguei a ideia de países sem lugares ou bairros. Que países eram esses, que a sua vida não se perscruta no buraco de madeirazinco, no fazer amor ruidoso no bocadinho da noite, na inocente vida de cantar quase nu na lua esbelta, na conversa de símbolo metafórico das mulheres na fontenária, no miliciano organizador de curiosidade no círculo do bairro para ver a televisão do primeiro mundo, nos passos nocturnos do amante esquecido, no exército de crianças que correm como um rio perseguidas por uma bola de trapos. Que paises eram esses, noticiados sem lugares biblicos. Perguntava a bussola mente, curiosa.
E porque não há noticias de um pais com lugares fortuna como chamanculo. Resolvi, influenciado por diálogos e recortes de jornais, escolher a Tanzânia, a Rússia, o Kenya e Portugal, para fazedores do mundo estranho e estrangeiro. Quando surgia uma notícia destes países, os lugares construíam-se desgarradamente como anexos de um Chamanculo que multiplicava-se no pêndulo que beliscava nossas escolhas caseiras entre o repolho ou carapau.
A cada Jornal atirado na rua, renascia a construção da narrativa descoberta. Não eram só as palavras que continham significados, ou as fotos repetidas que acompanham pequenas notícias sobre estes escolhidos países. Existia como em qualquer outra narrativa, um narrador. Homem, como as personagens que falam destes lugares. Tão masculino, o narrador, que tudo era uma narração ancorada no pensamento plástico, de reciclar minha curiosidade. Na minha caminhada, com silenciosos olhos, perseguia a cada trapo de jornal, como quem persegue o ultimo voo de uma pomba desmamada. Assim aprendi a cumplicidade do vento, neguei enfrentar sua destreza, memorizando a hora do seu repouso ou da sua ira. A minha sorte esta no vento e não no narrador jornalista que não percebe que a cada noticia dos escolhidos países, chamanculo multiplicava-se. Muitos anos passaram, o vento enamorou-se. Não mais soprou sua ira. Troquei a corrida por uma caminhada mais cintilante, de um namorado desprevenido. Porque já conhecia cada canto dos caminhos magros, resolvi perseguir os vestígios da minha passagem pelos caminhos apressados de chamanculo. Já não eram os pequenos sinais de uma passagem apressada que questionavam a minha colecção de lugares, destes estrangeiros países, mas como estes países e suas gentes viajaram dentro mim, nos caminhos multiplicados pelo vento. A velhice tinha chegado, coleccionada em cada recorte pregado na parede do quarto. As rugas eram o sinal de um livro polémico. Existe um chamanculo nestes países, mal retratado na fotografia repetitiva, de uma notícia incompleta sobre os lugares de madeirazinco. O livro na velhice não produz lugares. o editor comentou, na recusa de publica-lo. Não era a velhice que importava nos lugares por mim explorados. Mas a culpa de deus, por ter criado lugares distantes sem pelo menos explica-los da sua origem chamanculiana. Estes países são o rastilho de um zinco, quebrado e levado para longe, para construir outros sabores menos repolhados e carapawados. O velho disse e morreu. E morri.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

os habitantes da cidade 2

Ia Basta – retractos do sonho!

A nhamundwa mathe

O que se pode pintar no rosto de um homem? A vida.
Quando não mais podemos chorar, falar, sorrir, resta-nos o que no homem sempre habitou, a arte, o pedaço que não foge ao olhar e ao silêncio.

A pintura empresta ao homem a palavra muda mas certa para dizer Já Basta., porque “a arte é eternamente livre” escreveu kandinsky.
Já Basta! mostra que a pintura deve ser livre, servir os homens. Retractar a exuberância da alegria, da miséria. da tristeza , da beleza, dos números, do sonho.
Mas é no sonho que reside esta pintura. No sonho do rosto que deve-se retractar, emprestar-se às fantasias do real, e medir na tela a liberdade do mundo.
A cada traço percorre-se o limite do interior , a sensoriedade do dialogo entre o sonho e o real. E ai reside o homem do rosto, que lhe faltam olhos para contemplar-se a si próprio.
Muitas vezes negamos a liberdade da pintura, talvez porque ela se retracta com retratos, e não com rostos. Nhamundwa, perscruta a vontade da liberdade, que ‘e mais que um retracto, onde o sonho se exorciza e Nhamundwa excede-lhe o sentido.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

la famba bicha 17

Primeiro desculpar-me pela prolongada ausencia no blog, o trabalho de campo rouba muito tempo. E continuo em trabalho de campo. Prontos, acho que comecei com manias de desculpas, aprendi do pais. Neste exercicio trabalho de campo, somos muitas vezes surpreendidos a reflectir sobre os pontos adiados no debate do blog. Um desses pontos tem haver com o discurso identitario, estetico, e sociologico sobre as manifestacoes musicais - nao digo culturais porque preciso reflectir.
Este discurso obriga-nos a reflectir sobre os espacos de negociacao de identidade ou da estetica. A identidade e a estetica tem uma relacao de producao de cultura, resultado de espacos nao neutros de socializacao e suas instituicoes. A critica social e o desabafo resulta desta aprendizagem nao neutra de interagir com a identidade e a estetica.
esta pequena introducao vem a proposito de uma pequena reflexao que pretendo fazer sobre a exigencia da critica social versus desabafo, onde o desabafo nao é um exercicio menos consciente na relacao que temos com a identidade e a estetica nas nossas relacoes com o mundo social e politico.

domingo, novembro 25, 2007

tio patinhas e o umbigo 3

Existe arte que legitima-se fora da interacao social entre o artista e a sociedade?
O sociologo e blogista Elisio Macamo comenta no post do chapa100 com o titulo tio patinhos e o umbigo 2. E Porque sou de opiniao que este comentario, abaixo transcrito, tem a forca de revisitar as nossas certezas e especificar os nossos argumentos, faco o comentario em destaque para os passivos leitores e activos blogistas. Tentarei com mais vagar responder as perguntas dirigidas ao chapa100.
"caro chapa100, excelente texto o teu! penso que apresentas muito bem o lugar da produção artística juvenil no nosso país. não sei se concordaria contigo se utilizasses esta apresentação para contrariar os que criticam as letras da música de azagaia. como sabes, sou um deles. em tempos tentei fazer uma distinção entre desabafo e crítica social (que tu consideraste simplista sem mais elaboração) para dizer que da mesma forma que o artista precisa do seu espaço de criatividade nós os da sociologia precisamos também de manter a substância analítica dos nossos conceitos. eu estava a reagir à ideia de que o que ele canta é "crítica social". não me parece e disse porquê. continuo a pensar que é um desabafo extremamente contraproducente. mas concordo contigo que é produção artística. mas tu, de certeza, não podes estar a dizer que a produção artística nos deva deixar indiferentes. não seria isso o contrário do que tu próprio pensas ser o papel da arte? tu não podes estar a querer dizer que devemos ignorar o artista porque é artista. da mesma forma que ele pode produzir artisticamente nós também podemos interpelar essa produção. criticar é também estética, revela a nossa capacidade de sermos impressionados pela produção artística.não percebo o que tu dizes sobre o facto de serem muitas as pessoas que consomem a sua música. o que queres dizer, exactamente? que se for cada vez maior o número de pessoas que o consumirem, ele não pode estar enganado? que era preferível que fosse ignorado? abraços". Eliso Macamo

quinta-feira, novembro 22, 2007

acorda-se tarde ou o sonho atrasa?

Durante a infancia, fui dancando ao ritmo da timbila e da marimba no patio do ex-conselho executivo, no bairro de Xipamanine. Depois veio o inesperado itinerario, Baza baza e Mutxeca encheram minha adolescencia de mestria na arte de dancar e perder sentidos. Ali no espaco do Bazuca e no famoso campo do SMAE. Em seguida, a curiosidade tomou conta de mim, nos bancos do cinema Olimpia e campo kape kape, para estudar os sentidos colectivos de um chamanculo que era meu mundo, descobri nestes lugares o mestre Salimo, Ghorwane, grupo RM, Wazimbo, Nova Dimensao, Alexandre Langa, Fany Fumo, Lisboa Matavel, e outros habitantes da memoria chamanculiana. E assim os meus sentidos nunca mais pararam, descobri o dramaturgo Lino Lhongo no Bairro do aeroporto - anda ai uma publicidade, da CNCD, que anuncia um decano das artes cenicas em mocambique, nao sei qual foi o criterio para esse titulo - , Ungulani Baka khosa na marisqueira do Alto Mae e os desenhos do Idasse na revista tempo. A literatura tomou conta dos sentidos, comandou a descoberta do mundo urbano.
Todo este rabisco resulta do meu contentamento. Afinal, parece que comecou o exercicio de pensar estruturalmente na cultura. é so um comeco, mas pode valer no exercicio de produzir sentidos mais apurados da nossa relacao com a cultura e seus produtores. depois de ver a Casa Velha a cair aos bocados, distritos e cidades sem casa ou espaco cultural (ex.Xai XAi ), o ARPAC sem fundos, os museus a cairem aos bocados, pouco tempo de antena para o programa Cena Aberta, e a eliminacao do cafe cultural na radio cidade, o anunciado instituto superior de artes e cultura, tras uma alegria para muitos como eu, porque julgamos que o pais tambem merece academias mario colunas das artes e cultura.

sábado, novembro 17, 2007

Os habitantes da cidade 1



"Sou como Prince. Adoro música e mulheres. Ah, mulheres, mulheres. Se ao menos eu tivesse uma... Minha pontuação com mulheres é muito parecida com a minha conta bancária: ridícula. Na minha idade já devia ter brincado o há p’ra se brincar, ter pontuado o há p’ra se pontuar, devia planear me casar mas...". Leia e veja esta incursao critica da cultura jovem em maputo na redacao do kanino com o seu blog.


quinta-feira, novembro 15, 2007

tio patinhas e o umbigo 2

A musica e o album do azagaia esta provocando um debate aceso nos varios  círculos de interesse em moçambique. E nao é para menos, afinal azagaia nao é só objecto de adorno ou símbolo de luta, representa as varias tonalidades que caracterizam a nossa esfera publica. o mukherismo no debate.
Não há coisa mais polémica do que a relação que temos com a arte e o poder politico, com a expressao artistica e as instituicoes de control social, e ou a relação exuberante entre a arte e o poder politico. Quando estudamos a historia da arte moçambicana (desde o conto oral ate a musica contemporanea) onde enquadramos a interpretação da arte a realidade social, politica e económica em vários momentos ou períodos históricos. O periodo pré-colonial, colonial, movimentos de contestação a ocupação colonial e guerra de libertação nacional, pré-independência, pós-independência, o período da guerra civil, pós-revisão constitucional de 1990, e período pós-primeira eleicoes democráticas encontramos reacoes e dinâmicas sociais diferentes na maneira como interpretamos a arte como elemento mais atento na discrição e polemizacao das relacoes sociais na sociedade moçambicana.
Sempre questionamos a representatividade de certo objecto artístico ou expressao artistica quando estudamos relacoes sociais numa sociedade. Por isso o debate sobre o azagaia. Ate que ponto a arte do azagaia representa a realidade social que vivemos? Como é constituída a verdade na nossa sociedade? De que sociedade estamos a falar? E como podemos transferir e representar a verdade no espaço artístico? Existe uma arte que legitima-se fora da interacao social entre o artista e a sociedade? Existe uma separacao na interpretacao da expressao "mentiras de verdade" com funcao instrumental ou como expressao artistica?.

O tratamento inconsistente que damos ao registo ou papel da arte na representação das relacoes sociais resulta neste inconsistente debate sobre a representatividade dos nossos numerosos autores habitualmente conhecidos como representativos da arte Moçambicana. Uma outra questão é o valor potencial da arte pós-independencia no estudo contemporâneo da sociedade Moçambicana.

O debate que muitos tem conduzido sobre as novas tendências da musica moçambicana, especialmente produzida por jovens, é resultado desta interacao que a musica tem na interpretação de sentidos nos vários actores sociais na sociedade moçambicana. A critica, que tem sido dirigida a estes jovens músicos, caracteriza-os como uma geração de vendidos, sem valores ou identidade colectivamente aceitável. Na verdade é uma critica escondida num discurso de identidade e de moralização da sociedade. Mas o que caracteriza a musica destes jovens nao é perca da moral ou dos valores de identidade, mas o excentrismo estético e a descoberta da retórica como poder, particularmente a desconstrução do discurso do poder politico e das instituicoes de control social na sociedade.
Estas novas tendências musicais da musica jovem moçambicana, que a partir dos anos 90 desperta para muitos analistas sociais, é acompanhado de um dinamismo social que permite maior expressão a iniciativas individuais, e pluralidade dos espaços de afirmação e realização. O aumento desta escolhas é acompanhado de varias mudanças sociais que transforma muitos mocambicanos, em particular jovens, em combatentes de uma sociedade carente de realizacoes e espaços de negociação. O combatente da verdade, que caracteriza a arte dos jovens moçambicanos assenta numa irónica expressão artística, numa sátira social, a caricatura do dia-dia.

Assim como muitos artistas moçambicanos ,durante a nossa historia, estes jovens fazem na sua actividade de produzir arte uma parodia ao regime politico vigente. Estamos perante um movimento em moçambique que livremente trabalha e escolhe os temas para engajamento politico. A arte em moçambique nunca foi só uma expressão artística de momentos felizes ou de resignação, foi sempre um instrumento de angasma politico, de negociação de identidades, de interpretação do social e de instrumento de arremesso social, politico e económico dos que sempre sentiram a forca e a utilidade da arte na construção de uma sociedade assente em justica social.

Por isso aqueles que acreditam na censura, no boicote, na proibição da criação artística estão enganados na sua pretensão, a historia mostrou que nao existe a coisa mais subversiva e clandestina como a arte e a expressao artistica. Ela existe e vive sempre que exista uma sociedade, seja de escravos ou de homens livres.

Este fenómeno, peculiar em Moçambique, conseguiu produzir três categorias para proibir a liberdade de criação artista: a primeira categoria é formada por burocratas e funcionários de orgaos públicos que relaciona qualquer produção artística de pornográfica. A segunda categoria é formado políticos e funcionários de partidos políticos que caracterizam a produção artística de provocação politica. E a terceira e ultima é formada por religiosos e ideólogos que caracterizam a produção artística como anti-moral e anti-patriótica.

Esta categorizacao é problemática, porque atingiu ate a academia. Hoje antes de fazer qualquer produção artística tenho que pensar primeiro a quem ela vai agradar, se vou ter a simpatia ou antipatia do governo e alguns funcionários públicos. E porque temos esta herança heróica de criar pânico ( para mostrar servico aos que pagam para controlar os outros) e exagerar problemas ate em coisas que sao uma reacção normal numa sociedade, com o barulho e a intenção desmedida de desqualificar o trabalho produzido por azagaia, acabaram por popularizar a obra artística deste jovem que muitos compram ou escutam a musica para poder saber afinal porque esta musica produz tanto medo.




sexta-feira, novembro 09, 2007

txonados e chamboqueados no jazz da vida 4










Para tudo penso que precisamos de jazz, ate para ser txonado. Uma autentica melodia, que transborda nossa angustia sobre o quotidiano. Chamboqueados, somos todos. A cada sopro ou solo. Um casamento perfeito entre a nossa vontade de escutar tudo e de viver tudo. Jazz porque foi assim que ele surgiu, como a musica daqueles que queriam entender seu espaço e sua identidade. E nas ruas de Maputo musicamos nosso corpo e nosso andar. Jazz -amamos qualquer negocio e qualquer espera de oportunidade. Nossa identidade fabrica-se nos espaços que ocupamos para vender, amar, esperar, mijar e mendigar.
E ensinaram-nos que tudo tem negocio, um plagio ao ditado de que jazz tem alma. Qualquer coisa que move nossos sentidos absolutos e seleccionados minuciosamente ao ritmo do nosso quotidiano. Em Maputo, produz-se em cima de qualquer corpo, ritmos com instrumentos do quotidiano e na acácia escutam-se segredos de quem txonado labuta. As vezes o dinheiro nao interessa a muita gente, mas sim o quotidiano de estar ocupado, de negociar o tempo, a fome, o sorriso, e observar outros humanos.
A Vida realiza-se debaixo do sol e da lua. Faz-se amor neste contagio de estar debaixo de tudo: do preço, da cebola, da laranja, do pão, do policia camarário, da esquina, da panela chinesa, da capulana tanzaniana, do sapato nigeriano, do lendo monhé, do giro moçambicano, do 4x4 desenvolvementista, da sirene governamental.

quarta-feira, novembro 07, 2007

a personalidade do utero 4



A viagem

Tem dias


E Vida

Grande


E caminhos

Intermináveis

É um pouco

Da vida

Aquela modesta

E ciumenta

Nas viagens

O sol e a mulher

Tem outro prazer

Na fotografia que se tira


O amor vira

Uma pentax

Que vai sempre

Ao colo

Do mar

terça-feira, outubro 30, 2007

la famba bicha 13






CENTENAS de munícipes de Maputo afluíram ontem em massa ao “Maputo Shopping Centre”, com objectivo particular de testemunhar a abertura ao público daquele que é o maior centro comercial até então construído no país, e com capitais totalmente moçambicanos, num investimento do Grupo MBS, liderado pelo empresário Momade Bachir Sulemane. Maputo, Sábado, 27 de Outubro de 2007:: Notícias


1- Escolhi o nome chapa100 para este blog motivado por razoes de estética e de convivência social. Com andar do tempo, fui obrigado reconhecer este amantismo exuberante com a memoria e o tempo que dispensamos a coisas na vida. As vezes somos obrigados a deixar que os outros tomem conta de nos, "empacotem" nossa liberdade com outros sentidos. Alguns mais violentos e outros mais amiúdes. O mais caricato é a nossa serena condição de leva-tudo, já nao basta que consumamos tudo. Tudo aquilo que nos olhos nao cabe para contemplar e na língua chega para saborear. Somos vendedores do nosso próprio destino, os mukheristas da indiferença.
Escrevo isto porque nasceu mais um cogumelo gigante em Maputo. Em muitas sociedades é símbolo da pós-modernidade. Anos e anos comparávamos o nosso atraso em relação a África do Sul, usando este cogumelo como indicador. A diferenca entre este cogumelo e o baoba de pemba, nao esta na sua gigantesca oponencia, mas na sua urbana e desumana vontade de entreter o futuro. O cogumelo anuncia um futuro, que só se manifesta dentro dele. Só que este futuro precisa de bilhete de passagem, Tao moderno quanto isso. Nao há boleia para o futuro, assim como chapa100 nao da boleia, paga e chega ao destino ou espera uma nova e quase que inexistente chance de negociar um nova viagem para o futuro.
O baoba de pemba, esse reserva agua, frutos, medicina, sombra, tudo que no deserto faz um futuro. A sua oponencia é Tao humana, como a nossa vontade de viver mais e ter memorias de uma Pemba presente e indicador da nossa real existência.
2 - O que inquieta-me com este cogumelo, é a sua real vontade de ser urbano. O mais problemático é o silencio dos que requisitam e facilitam a existência destes cogumelos. Quando este shopping Center foi planificado onde estavam os arquitectos e urbanistas cá da praca. Onde estavam os economistas, cientistas sociais cá da praça. Imagino que estavam nos escritórios ou nos blogs como eu. Um vicio perigoso esse, o nosso. Que impacto este cogumelo vai ter nos pequenos empreendedores de lojas na baixa e outros lojistas de Maputo? Com o trafico e o engarrafamento que temos na baixa, o que este cogumelo vem acrescentar de mais valia ali na baixa? sabemos ate agora que o parque automóvel em Maputo, da baixa em particular, utiliza/ocupa espaços que deviam ser dispensados para lazer ou para o peão, e com este cogumelo quantos espaços de parqueamento serão criados, que permitem a devolução dos espaços de lazer para os citadinos de Maputo? Esta historia de que este cogumelo vai criar nao sei quantos postos de trabalho nao pega, que relação existe entre os postos de trabalho que ele cria e os que ele destroi no pequeno comerciante? E nao temos informação se este cogumelo, como muitos outros que em nome de investimento moderno, recebeu isenção fiscal? e se recebeu isenção fiscal quem vai pagar os passeios destruídos pelos carros que galgam, ocupam os espaços reservados a lazer, o tempo perdido no engarrafamento naquela zona da baixa? erário publico. eu digo os meus impostos.
3 - Não estou contra cogumelos do futuro, mas este futuro que nao trás qualidade de vida aos citadinos de Maputo nao anima. O exemplo que temos da forma desordenada como sao feitas as coisas, o prédio cimpor no cruzamento entre a 24 de Julho e a Julius Nyerere, roubou o espaço de respiração e estética daquela cintura, o mesmo aconteceu com o prédio dos chineses e outro nao acabado ali em frente ao tribunal supremo, aquele espaço podia ter sido usado para reflorestamento e protecção de barreiras, anexando aquilo ao jardim botânico, o nosso Tunduru. A outra coisa que nunca entendi, é a mania do deixa andar que permitiu a construção de condomínios e supermercado na zona do costa do sol, sem estudar a questão de mobilidade, saneamento, vias de acesso, protecao a orla marítima, (sem contar com a destruição de mangais e dunas). E o cumulo, a nossa elite do deixa-estragar esta la todo o fim de semana, com um parque de viaturas insustentável para aquela zona, disputando o espaço com o peão, banhista e a vegetação/arvores ali existente. Nao é altura de interditar a circulacao de viaturas aos fins de semana para aquela zona?.
3- entao manos, tambem preferem cogumelos e nao boabas? nos bairros perifericos de maputo ja temos cogumelinhos, uma chatice desse desenvolvimento futurista.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Azagia e o seu Babalaze






recebi do azagaia a informacao da disponilidade do seu novo video "A MARCHA", confira aqui.  E de que "O BABALAZE estará disponível nas lojas a partir de 11 DE NOVEMBRO, PARTiCIPAÇÃO ESPECIAL do mano VALETE". trabalho lancado pela Cotoneterecords.




sábado, outubro 27, 2007

chapacentadas ideias



com o debate interessante sobre a integracao regional, o acordo de comercio entre SADC e Uniao Europeia, a cimeira africa-europa, o papel da ajuda como agente dinamizador nas relacoes com a periferia, convido aos chapacentados manos da blogsfera a ler " O Poder Global e a nova geopolítica das nações"  livro do cientista politico brasileiro José Luís Fiori ( 2007)  onde podemos ler que “a política só pode ser eficiente onde exista algum poder a ser conquistado, e cujas diretrizes possam ser alteradas”.

terapia jornalistica

Na actividade de psicoterapia, ou mesmo psiquiatrico, lidamos sempre com a questao etica e de tecnica/intervencao: control e ajuda.
E porque este "dilema" professional faz nosso quotidiano na aprendizagem e popularizou muitas teorias e escolas da cienca psico-comportamental. Na nossa relacao com o paciente e ou cliente, inventamos varias "dicas" para lidar com a situacao de escolha de tecnicas, intervencao, e metodologias. E todas estas escolhas sao sempre acompanhadas de humor.
veja aqui um caso interessante de como Pedro Nacuo, exercita o control em forma de ajuda (conselhos), caso para dizer terapia jornalistica.

terça-feira, outubro 23, 2007

a paz é sinonimo de um pais que existe


E veio. o prémio. Brilhante como um cometa livido, que nunca vimos. E o mundo pergunta, quantos dormem e nunca sonham. E o sono diz: quero a paz para sonhar.
A paz tem o feitiço de nunca habitar o imaginário de muitos vivos. Tao arbitraria é a sua escolha, que faz nosso destino uma infância de espinhos. De sonhar angustiante para alem do sonho de estar vivo. Sonhar esforçado para que cada silencio de armas e lágrimas seja tão real. Assim foi nosso quotidiano, correr para alem do sono, por isso inventávamos amuletos e maparamas, para emprestar o sonho aos vivos, e esperar que a noite caia e possamos sonhar o real : a paz. este prémio junta-se ao real da nossa descoberta: a paz esta nos homens, nunca transcendeu a vontade do corpo, do espírito e da vida. só dos homens depende a paz. parabens presidente Joaquim Chissano.
"Poema do Futuro Cidadão"
Vim de qualquer parte
de uma Nação que ainda nao existe.
Vim e Estou aqui!
Não nasci apenas eu
nem tu nem outro...
mas irmão.
Mas
Tenho amor para dar as mãos-cheias.
Amor do que sou
e nada mais
E
tenho no coração
gritos que nao meus somente
porque venho de um pais que ainda nao existe.
Ah! Tenho meu Amor a todos para dar
do que sou.
Eu!
Homem qualquer
cidadão de uma nação que ainda nao existe.
In "XIGUBO", Maputo, INLD, 1982;

domingo, outubro 21, 2007

O mundo, com duas vidas e um jovem II




no ambito to projecto one day in maputo, Honza Zaloudek e Jorge Matine fazem a janela de praga, um prefacio ao livro amordezinco ( 2005).

sexta-feira, outubro 19, 2007

zarolho, o poeta de mabuzina 2

O comboio parte duas vezes por dia. As cinco horas da manha com operários e prostitutas. Quando o sol já nao se esconde, dez horas da manha com alunos e contrabandistas. Não há comboio de regresso. São 10 km que separam a vila da ultima localidade. Porque o rio corre o lado norte da vila, todos regressam de barco. São catorze barcos que regressam. Os estudantes e contrabandistas são os primeiros passageiros.
Estamos habituados que o sol nasça cedo. Não há poente, mas há cacimba, moscas e algumas baratas que desaparecem, no passo apressado do operário atrasado. O nosso esconderijo é um hotel velho, de dois andares. Os quartos do ultimo andar sao os únicos ocupados. Não há cozinha, mas funciona o bar quando celebramos um assalto. O gerente somos todos nos, mas a puta cacilda cuida da cobrança para uso da casas de banho. Não há canalização, rebentou. Os ratos roeram tudo. Dizem os mais velhos, hospedes sem bagagem. O Pedro vive cá a 5 anos, tem feitio de ser o mais o velho, fala pouco e todas as putas chamam-lhe “o zarolho”. O nome é antigo como os sapatos pendurados na recepção do hotel e a cadela que adoptamos. A zarolha nao ladra, coca-se todo o dia. Zarolho disse que ela foi assustada pela buzina do comboio, nao mais ladrou