terça-feira, agosto 29, 2006

wena pa mocambique

o discurso mudou diz o mano basilio. e quem nao muda o discurso? o discurso que nao exercita a critica e analise nao tem muito de saudavel. o que intriga nesta analise e na critica quotidiana tem sido a falta de didactica e analise para compreender o discurso como instrumento forte na manisfestacao dos nossos anseios e o discurso como parte integrante na procura de solucoes. se a nossa cidade esta desgovernavel, mal tratada, perigosa, nao cria emprego, entao o discurso tem que realcar este quotidiano. o meu discurso mudou: que se lixem os americanos. mas eles gastaram $137 million para ajuda de reconstrucao pos cheia no meu pais. agora se os americanos que leem o website dos perigos de maputo sao contribuenntes desta ajuda? que se lixem os americanos!!

!! nao acredito muito que eles sao pessoas de se deixarem lixar.

agora o discurso deve ser outro. sou daqueles que penso que a questao do crime e do emprego para juventude e sinal de ma governacao. as minhas poucas razoes:
1- crime : quando foi da criacao da brigada anti crime, disse que isso nao funciona. o crime nao se assusta combate-se. e o combate ao crime requer meios, nao so motorizadas e AKMs, mas homens treinados, ciencia, contra inteligencia policial, legislacao, suporte finananceiro. quando combatemos so as consequencias/efeito do crime, entao a tua intervencao nao tem sustentabilidade. o crime e uma manifestacao social, economica, subcultura de sobrevivencia, que deve ser analisada sem emocoes ideologicas. e como dizem os sociologos e uma manifestacao social da pobreza, da incapacidade da sociedade no uso de instrumentos formais de integracao e educacao dos seus membros. e quando a resposta formal, politica e instituicional falha vem esta cultura de justica pelas proprias maos, da ambiguidade profissional do policia, da justica como um direiro dos outros, da arma como instrumento de ganha pao. E penso que o combate ao crime tambem passa da responsabilidade social de cada membro da sociadade, do bairro, mas nao concordo muito com os moldes do policiamento comunitario. porque aqui falha-se quando nao se olha na maneira como esta estrutura da administracao publica, orgaos do poder local, em outras palavras os chefes do posto, administrador do distrito, como e definida no quadro da administracao publica e governacao . tem que ter uma responsabilidade e poder para organizar e administrar a seguranca publica do seu distrito/posto. isto requer uma coragem politica para reformar os orgaos da administracao publica e seguranca. e tambem passa por mudar esta coisa de nomear administradores do distrito, os administradores do distrito deviam ser eleitos pela populacao do distrito, e nao deve so prestar conta ao secretario distrital do partido, ao governador, mas ao povo do distrito.

2- a questao do emprego e muito seria. nao pela quantidade de desempregados, mas pelo discurso politico que nao compreende a dinamica do emprego. e aqui chamaria atencao pela relacao que o emprego tem com o crime, com a didactica da critica discursiva, no desemprego como consequencia do crime e tambem como provocador do crime. no combate a pobreza absoluta, esperava eu, que o discurso da auto estima seria: so com emprego e trabalho se cria mocambique melhor. eu nao acredito nos projectos de desenvolvimento (ajuda) que nao passam pela criacao do emprego, a melhor ajuda e aquela que cria trabalho, e o trabalho integra, dignifica, cria bem estar, reproduz uma cultura de profissionalismo, responsabilidade na poupanca, na riqueza, na qualidade de vida. porque falta emprego para jovens? sei de algumas causas. falta empregador? nao. entao o que falta? falta organizar o emprego a realidade do pais. nao havera empregador para todos, por muitos anos, mas poderemos criar emprego para a maioria. passa por liberalizar e privatizar tudo? dizem alguns, mas liberaliza e privatiza quem sabe o que vai ser e fazer depois com o dinheiro. nos estamos habituados a cultura do emprego formal, meu pai diz que foi uma cultura pos-independencia, ganhamos a independencia e a pouca mao de obra especializada e carente de trabalho, foi absorvida ela funcao publica, aquela massa nao especializada (faz tudo) foi absorvida pela industria agricola, ferro-portuaria, pesada e de transformacao, anos de boa vida. o emprego estava la, a geracao de ouro estava ocupada. a elite politica distraiu-se ( a guerra foi um grande mal) e nao calculou que a geracao de ouro entrou na revolucao demografica (filhos e moblidade geografica), revolucao da educacao ( educacao para todos, os filhos tem que estudar para ser alguem), seguranca publica, saude, foram conquistas do povo, deixa o governo que cuide disso. entao ficamos culturalmente adaptados ao emprego urbano, dos anos de ouro, estudar e emprego ganhos da revolucao. e ficamos aculturados,tal como o colono, o emprego fica na secretaria, naquele que tem patrao, presos na cultura do salario. por isso assistiamos a coisas como milicianos chamboquiando vendedores de rua, candongueiros. oprimimos qualquer cultura de sobrevivencia que nao esteja patrao ou director por cima.
e hoje os anos de ouro ja nao estao, ha muito tempo. e agora? a elite ficou distraida e parece que continua. quando poderemos ter solucoes locais de emprego? e inventou-se uma guerra contra o informal, quando mais de 70 % da mao de obra economicamente activa esta empregada no informal, porque continuamos a pensar que esta e uma actividade informal e marginal? continuamos a ter ministros a anunciar de boca cheia que tem made in mozambique para empresas mocambicanas, que vai buscar aonde? um ministro que nao esta preocupado com o desemprego mas com os que estao ja empregados, entao porque temos o ministerio do trabalho? se nem consegue obrigar os patroes a pagarem os salarios em atraso?

o emprego existe em mocambique, mas precisa de ser idealizado e respeitado como tal. se muitos milhoes vivem dele, porque o universitario nao pode viver dele? agora, os financeiros dizem que o perigo esta que ele nao paga imposto, nao esta organizado. essa teoria falta a parte discursiva, da didactica.a mesma cultura de intervir contra consequencias e nao com solucoes. precisa se criar mecanismos de trazer o informar para a area fiscal, nao e facil, mas nao e impossivel, primeiro precisa-se mudar a legislacao e impostos que sufocam quem trabalha, segundo mudar a complexidade do sistema de cobrancas e incentivos fiscais, terceiro devolver a credibilidade do sistema tirando os corruptos, quarto criar um selo de contribuicao que permite a cada informal se identificar e pagar onde e quanto tem, quinto criar incentivos para a valorizacao do selo contribuinte atravez de micro creditos, emprestimos, assistencia tecnica. sexto reduzir e eliminar a complexidade para obter licenca para exercicio da actividade economica.

entao manos aqui estao algumas minhas provocaoes para continuarmos no bate-papo.

la famba bicha
jorge matine

segunda-feira, agosto 28, 2006

feliz aniversario





espacos

existem espacos, sem acento, virgula, espacos da lingua, mal falada como o amor de todos os dias. assim foi e sera por longos anos, porque onde corre a palavra, escreve uma mao solidaria, estrangeira e negra de si propria. o chapa100 e isso. essa corrida que vuna e gunga, que arranha e se fez gigante nesta corrida pela paragem, pelo cobrador que rouba-nos o silencio do bolso, do motorista poeta de mabuzina. la famba bicha, wena pa mozambique.