
segunda-feira, setembro 10, 2007
la famba bicha 10

sexta-feira, agosto 31, 2007
retractos do sonho 2

quinta-feira, agosto 23, 2007
la famba bicha 9
quarta-feira, agosto 08, 2007
a personalidade do utero 2
terça-feira, julho 31, 2007
la famba bicha 7
quarta-feira, julho 25, 2007
la famba bicha 6
sexta-feira, julho 20, 2007
txonaddos e chamboaqueados no jazz da vida III
Eu vendia chamussas nos anos oitenta, eu candongueiro, no socialismo cientifico. Ibrahimo, no ano dois mil e sete, ele vendedor ambulante, no capitalismo selvagem. o tempo passa e a vontade de ser crianca continua refem de um sistema que precisa de criancas. somos anonimos.
Ibrahimo e perseguido pela policia municipal, eu era perseguido pelo miliciano. somos parentes de um destino adiado. as nossas maes deviam ser irmas, nao de sangue, mas de um ventre pobre.
Ibrahimo, nao fala muito, porque as palavras sao sempre as mesma: compra bolinhos senhor. seus olhos sao negros e cansados, como o suor que banha seu rosto. vigio-o da minha janela. a bacia de bolinhos corre ao ritmo das janelas do autocarro e das vozes gritantes que chamam pelos vendedores que assaltam o autocarro.
digo ao cobrador que vou descer nesta paragem. afinal nao vais para nacala? pergunta o cobrador boca-aberto com o cliente sem palavra. resmunguei e pago uma nota de 25 MTn.
Ja na estrada chamo pelo Ibrahimo, ele corre com a bacia de bolinhos e nao com os pes. estao pesados. a bacia devia pesar uns 10 kilos para oito anos da sua idade.
assim conheci o Ibrahimo Assane.afinal somos filhos do mesmo pais, mocambique.
la famba bicha 4
quarta-feira, julho 04, 2007
la famba bicha 3
aqui volto. nao esqueci do dever de alimentar o chapa100. mas as estradas estao cheias de surpresas e visitas. ha 20 dias estou e vou viajando por Mocambique, Cabo Delgado, Nampula e Tete. aprendi a ver o pais com seus meticais. um pais que gira, ginga, empobrece, enriquece, abandonado, amparado, amado. As vezes o mundo gira tao rapido, com metros e segundos que namoram nosso espanto: os sobreviventes do metical. mas o mundo gira. feito de pequenos globos, de gente, etnia, distrito e pequenos paises de meticais faltosos. uma ilha de vontades e sonhos.
sonhos. todos sonham, alguns mais altos, outros mais rastejantes. mas sao sonhos de muitos sonos e insonias. alguns de uma cama macia, outros de um chao duro. mas porque parar de sonhar? pergunto aos meus guias. E eles tropecam na minha pergunta. para eles o sonho nao existe assim tao humano e cheio de vontade. porque sonhar quando falta tudo? perguntam. vi que as perguntas sao importantes. nao pela resposta. mas pela falta de resposta. e o mundo gira, com sonhos emprestados, alugados ou roubados, o mundo gira. pode parecer lento, porque nao ha relogio, com prazer da vida, de transformar sonhos.
no caminho. mapea-se tudo. uma arte antropologica de estimar tudo. aquelas coisas que nos fazem rir. afinal quem chora tem que saber rir. nao existe outro alento para isso. onde falta lapis nao falta um sorriso de crianca, onde falta aspirina nao falta um acenar de boa viagem. e o pais vai nascendo assim. uma gravidez constante. nascem aos mil. e a escola ensina as dezenas. nao ha recurso neste pais capaz de acompanhar e acalentar esta barriga que nasce a cada minuto. somos um pais de criancas, numa miseria de adultos: calculamos a nossa pobreza nao nos filhos que morrem, mas que nascem.
nestes caminhos somos estrangeiros da ciencia. nao ha logica para entender as coisas. elas acontecem. porque para muitos a explicacao ja esta abencoada. nao questionar faz parte do amor que embelezamos o encontro com o outro. o sexo, a vida, o dia, a noite, a religiao, o sol, o corpo, o caminhar, o dinheiro, a troca, a compra, a escrita, o conto, o romance, a poesia, o canto, a danca, servem o misterio para explicar os fenomenos que fogem a pergunta sobre a logica das coisas. as coisas existem porque tem que existir. e assim sobrevivem no tempo. amamos as coisas por elas existem e nao porque sao inventadas e sonhadas.
e desenha-se o pais numa caixa magica e seus acessorios. a caixa magica nao tem mais nada que telenovelas e sms para quebrar nossa rotina e fazer de conta que descobrimos o outro. os acessorios, sao outras naus do vasco da gama, tem rotas diferentes mas vivem a mesma cultura, descobrir o outro como mercado e produto: Mcel e coca cola. nao ha disputa possivel, com capitalismo se namora tudo, pelado ou vestido, nao interessa. e assim ama-se um pais acreditem.
sexta-feira, junho 29, 2007
la famba bicha 1
Como podemos construir problemas assim? será que produzir solucoes interessa ao nosso governo? tenho medo que já não precisamos pensar, estudar as coisas, que inquietam nossa própria vivência e responsabilidade governativa. O que esta em causa aqui já não é a competência dos que nos governam, mas o partido politico com programa, competência e quadros para governar. Quando não mais podemos solucionar nossos próprios problemas chamamos os outros, e pior quando esses outros não tem cara. Agora resolveu-se fazer um copy and past perigoso, porque o conceito copiado põe em causa qualquer forma de pensar direito e governar com responsabilidade. esse conceito chama-se "terrorismo". ele responde e veste a mesma camisa da generalização e medializacao dos problemas mal estudados, que muitas vezes camuflam o que esta por detrás das nossas intencoes. são conceitos como estes que mal empregados só servem aos políticos e traumatizam uma sociedade. Ate agora na ordem mundial o uso deste conceito faz e fez de nos reféns de uma verdade que não existe, construída dentro de um paradigma para munir um estado de incompetentes e musculosas mentes desumanas.
O ministro Pacheco (que ate a poucos anos era um dos jovens competentes deste pais) esta a sair da estrada. e esta a entrar por uma estrada perigosa. há dois anos que o ministro ainda não produziu um estudo sobre o crime em Moçambique, a esta altura o ministro devia ter percebido que as estatísticas sobre o crime que nos são apresentadas pelo comando geral da policia não oferecem um quadro analítico para produzir politicas e estratégias de segurança publica. O desafio institucional que o ministro introduziu no seu ministério não esta a responder a dinâmicas sócio-económicas da sociedade moçambicana. o desafio institucional que devia perturbar o sono dos quadros senior do MINT não é fazer a lista das necessidades, mas sim, como produzir instrumentos que possibilitam uma visão realista do crime em moçambique:
1) identificando dinâmicas sociais especificas que possibilitam a "produção de comportamentos" anti-sociais. a policia precisa de conhecer a sociedade e os espaços onde o crime é produzido.
2) identificando comportamentos institucionais que provocam fragmentação e improviso na actuação da policia. reforçar que a actuação da policia em relação a qualquer crime facilite o desenvolvimento de sistemas internos de registo e estudo do crime, e não a cultura de passar por cima de procedimentos, leis, e "cozinhar" dados estatísticos.
3) Identificando praticas de investigação criminal que impossibilitam a simplificação no registo de crime, abertura de uma queixa, registo de denuncia, protecção da vitima.
4) Identificando factores e fenomenos culturais e sociais que determinam a demanda para os serviços da policia ( exemplos: violência domestica, racismo, conflitos étnicos, cultura de gangs, consumo abusivo de alcohol, prostituição, comportamentos de risco no verão ou inverno, porte de instrumentos contundentes, etc)
5) identificando práticas que impedem um conhecimento claro das funcoes que cada unidade policial ou instituição do MINT desempenha ( Exemplo: porque muita gente pensa que uma queixa ou denuncia só terá solução se envolver o comando da PIC e não recorrer a esquadra mais próxima. a policia de protecção civil vulgo "cinzentinhos" a exigir cartas de condução e inspeccionar aspectos técnicos de uma viatura, agente da policia comunitária como agente denunciador de criminosos e não agente mediador e facilitador na relação policia-comunidade para prevenção, denuncia e apresentação de queixa criminal, etc)
6) identificando razoes porque a estratégia de segurança publica ou intervenção da policia não é desenhado tendo em conta os constrangimentos da capacidade institucional, e não a cultura dogmática de que quanto maior for a disponibilidade de recursos e meios a policia produzira resultados imediatos, de impacto positivo na sociedade. ( para evitar reformas e intervencoes insustentáveis institucionalmente como aquelas das motorizadas, carrinhas, bicicletas, que só desacreditam a nossa policia)
7) identificando porque os constrangimentos da capacidade institucional da policia a longo e curto prazo não são incluídos no desenho da politica e estratégia de segurança publica. e porque não temos planos estratégicos e estratégia de segurança publica por província, sector por sector, especialidade.
8) identificando que aspectos e sectores da reforma institucional da MINT estão exageradamente "idealizados" ou com potenciais conflitos entre a estratégia escolhida para fazer reformas e os constrangimentos orçamentais, impostos pelo nosso orçamento geral do estado. ( para não assistirmos este teatro da fala de meios quando bem sabemos que estamos a falar de um estado organizado onde instituicoes recebem aquilo que planificam ou fazem lobbies para receber mais)
9) Identificando porque O MINT pensa que os meios circulantes são mais importantes que infra-estruturas. avaliando pela quantidade de carros e motorizadas que entraram no MINT nos últimos 15 anos não imagino quantas esquadras teriam sido reabilitadas e quantos bairros novos de moçambique teriam novas esquadras. porque investir em infra-estruturas é investimento a longo prazo ( acompanhado de um sistema de gestão e manutenção em parceira com o sector privado e comunidades locais)
10) identificando práticas inovativas de prevenção e manutenção de ordem publica. ( com a quantidade de guardas e agentes de segurança privada em varias casas e estabelecimentos comerciais , não percebo porque não há colaboração na identificação de potenciais actos criminais, activação de alertas SOS, assistência de primeiros socorros, alertas periódicas sobre comportamentos e práticas criminosas, etc)
11) identificando desafios institucionais na área jurídico-legal e cooperação interministerial. (que prioridades na reforma da justiça e leis em moçambique podem tornar a estratégia e politica de segurança publica efectiva e eficiente: o sistema prisional, o funcionamento dos tribunais, o direito criminal, os paióis e armamentos sem controle, a fragilidade das instituicoes como família, escola, controle migratório, etc)
As questões levantadas acima, são aquelas que não consigo ver elas reflectidas no discurso do nosso ministro de interior. o que esta faltar ao meu ver não é só um estudo sobre a dinâmica social que criminaliza as relacoes sociais e económicas de moçambicanos, mas a falta de capacidade das nossas instituicoes politicas em problematizar as coisas, não interessa neste momento saber que o ministro não tem meios, mas o que vai fazer com esses meios se disponíveis e como. imagino que o desafio institucional do MINT seja um bicho de sete cabeças e a sua complexidade não pode ofuscar a capacidade visionaria dos nossos governantes quando são confrontados com desafios. Esta cultura generalista de que o crime violento combate-se com uma resposta policial violenta é muito frágil porque mostra a ideia politica que temos do MINT, este ministério não é para combater criminosos como sua vocação principal mas para manter a ordem publica respeitando, a ordem jurídico-legal vigente, os deveres positivos da policia, do ministério publico, dos tribunais, respeitando e protegendo o cidadão. O ministro Pacheco tem que por os quadros do MINT e da CIPOL a produzir o crime, sob pena de assistir-mos a linchamentos a escala tsunami.
sexta-feira, junho 22, 2007
palavra d'honra a luta continua
quinta-feira, junho 21, 2007
O mundo, com duas vidas e um jovem I
II
Para responder as questões colocadas acima teríamos que analisar a importância da prioridade que o mundo exterior tem em relação ao mundo interior. E não é porque o mundo exterior seja por natureza prioritário em relação ao mundo interior na vida do adolescente e jovem. Na sociedade moçambicana de hoje, os jovens são mais falados pela sua virtude de ser jovem, de ser um grupo etário maioritário, de ser um actor económico imprescindível numa economia de consumo e competitiva, de ser um eleitor em abundância, de ser o espelho atento das transformações sócio-económicas, a cobaia da crise de certezas sociais individuais e colectivas da sociedade moçambicana e muitas outras “coisas” que o jovem é obrigado a mapear para sobreviver no mundo exterior.
III
Em suma o mundo exterior pede aos jovens uma postura de compromisso e responsabilidade. E será que o nosso mundo interior de jovens que é caracterizado por uma vontade de viver com mais intensidade os questionamentos, discernimentos, entendimentos, sonhos, não mereça a mesma prioridade para mapear o mundo?
IV
Em Moçambique a juventude sempre foi abordada como um actor social e político diferenciado, capaz de influenciar processos de transformação social, que pela sua característica estava estreitamento ligado ao engajamento politico ideológico de mapear o mundo exterior. Onde o engajamento do jovem era definido pela capacidade de participar em projectos de mudanças sociais para a construção de um homem novo (moçambicano). Era assim ate poucos anos (atrás), e hoje?
V
Hoje a construção do homem novo terá que olhar para o mundo interior do jovem, que é caracterizado por reflexões pessoais que interferem na construção de sua identidade. Onde esta identidade é resultado da relação entre seus pares e experiências individuais que resultam de um processo continuo de busca, encontros, desencontros, inseguranças, curiosidades, medos, confusões, indefinições, mudanças, crises e crescimentos, que no mundo actual tem que ter a mesma prioridade que mapear o mundo exterior. E não será esta a melhor altura para mapear o mundo interior do jovem se queremos devolver ao jovem a capacidade de ser portador de mudança e construtor do homem novo de hoje, não?
quarta-feira, junho 20, 2007
hangalakane swo sala swi tsongho hi la laku minheta
la famba bicha
terça-feira, junho 19, 2007
e portugal profundo. ninguem calará
quarta-feira, junho 13, 2007
o curto-circuito. ao egidio vaz
Egidio! nos amamos um pais porque dele aprendemos a amar as suas maravilhas e suas surpresas. Acontece o mesmo com o curto circuito, que provavelmente provocou incendio no MINAG. Porque conhecemos o nosso amor, nao foi preciso investigar mais, a sua zanga é plena e constante. O curto circuito é parte deste amor multifacetado de patria. Por isso nao encontramos movimentacoes de pessoas estranhas no edificio, por isso trancamos as portas e deixamos os guardas sem chaves. porque o ciume impede-nos. inventamos um extintor para guardar nossas certezas de que conhecemos a zanga do nosso amor, afinal a zanga é sinonimo do amor que cega-nos . No amor, somos alertados para deixar a desconfianca de fora, por isso nao instalamos bombas de agua, porque precisamos do exercicio de balde para muscular o coracao que explode. Nao instalamos um sistema de alerta contra incendio, nao tratamos de seguro contra incendio, nao inspecionamos o sistema electrico e electronico, afinal no amor nao se pode desconfiar.
No amor a coisa mais bela é contar sobre o curto circuito da nossa paixao.se possivel conta em voz alta. Para ninguem duvidar. Todos nos invejam, porque acreditam que nosso corpo produz energia como a cahora bassa. E porque amar a patria é isso mesmo. É intenso. Com um pequeno curto circuito, alertamos os outros do fogo que corre dentro de nos, somos a auto estrada do fogo descontrolado que habita nosso estomago.
E agora ? o nosso poeta eduardo white escreveu:
uma mao
de mao
grande
de mar
uma mao
de mao
com mar
grande
uma mao
de medo
fugiu para longe
grande da vida
uma mao
de mao
onde o mar
nao mede a mao.
Uma mao
domingo, junho 10, 2007
...e o vento levou.Moolaade reencarnou.
Sembene Ousmane. cineasta, intelectual, sindicalista, antigo combatente, poeta, romancista. um continente por ele amado. e o cinema fica, na memoria de quem amou casamance. adeus Sembene Ousmane.
quarta-feira, junho 06, 2007
doi doi, o recibo e a bicha
lendo teu texto ( ver no mocambiqueonline o texto do salema com titulo: como doi passar recibo) a solução contra a corrupção não é a alta autoridade para combate a corrupção ou o fórum anti-corrupção. os instrumentos de controle e transparencia no aparelho do estado estão la. se introduzir-mos a obrigatoriedade do recibo nos cartórios, hospitais, escolas,...resolveríamos em grande parte o negocio e dumba-nenguismo no aparelho do estado, que chamamos corrupção. veja quantos funcionarios no aparelho do estado no atendimento ao publico não estão identificados, quantas vezes vamos a uma repartição publica e não temos formularios ou fichas de requerimento? quantas vezes vamos a uma repartição publica para levantar um parecer/documento dizem-nos para passar daqui a uma semana, daqui a duas semanas, semanas não tem dias ou calendário ou horas?
então dizem que o cidadão é vitima da corrupção no aparelho do estado. não é verdade. o cidadão é vitima do mau funcionamento do parelho do estado. da falta de instrumentos de gestão eficiente, da falta de responsabilidade de funcionarios publico para com o acto burocrático, da falta de ética e inspecção no aparelho do estado, da falta de um aparelho de estado responsavel e eficiente. e não da corrupção. A palavra corrupção tem a mesma relação com o fenómeno da bicha ( diferente do fenomeno da bicha retratado pelo elisio macamo)
nos tempos idos, tinhamos que formar a bicha para comprar pão, arroz, açucar, fazer matricula, tudo. e quando o pão acabava, não era culpa do padeiro ou da padaria que não planificava e comprava trigo e lenha em quantidade suficiente . quando faltava arroz não era a GOAM que não planificava bem as nossas necessidades. a culpa era da bicha que era longa. a culpa era nossa que não acordávamos cedo para formar a bicha. então tudo que não conseguíamos ter era por culpa da bicha. ninguém se dava ao luxo de questionar o padeiro, o chefe da cooperativa, a GOAM.
assim também funciona com o aparelho do estado. tudo que la acontece justificamos como corrupção. prontos. tentar entender porque falta a obrigatoriedade do recibo, porque não passar o recibo, porque falta a identificação do funcionario, porque as pessoas tem que esperar tanto tempo para um requerimento, porque tudo tem que assinar o director, porque um documento tem que passar por varias instituicoes publicas, etc. não interessa, afinal é corrupção que faz o povo reclamar e justificar a sua pobreza.
não sei porque mas devagarinho vou chegando a conclusão que o laboratório da injustiça, do deixa-andar, desigualdade social, da exclusao social , da fome, do fogo nas instituicoes publicas, do dumba-nengue, da falta de responsabilizacao, esta nas instituicoes publicas. espero que esteja enganado ate prova contraria.
eu acho que passar recibo não doí, doí é pensar.
PS - aqui no forum teve um post sobre a questao de transporte e falta de chapas para kongolote e drive in. Nao escrevi na altura porque nao tinha tempo e continuo sem tempo. Mas este seria um case study para analisar o fenomeno da pobreza absoluta. Por exemplo: quanto tempo leva um chapa100 de museu a drive in e vice versa? Quanto tempo um cidadao espera na paragem por um chapa no drive in ou no museu? Um cidadao com uma bicicleta percorrendo o mesmo trajecto quanto tempo leva? Qual e a probabilidade de ocorrencia de acidente entre o chapa100 e o cidadao de bicicleta no mesmo trajecto? Um cidadao que trabalha no museu ( entra as 7:30 e sai as 15:30) quanto tempo levaria para chegar a casa (drive in), dar de comer as suas duas criancas, e as 17:30 apresentar-se a escola na uniao geral das cooperativas ? e imaginemos que nao é aluno na UGC, mas sim professor do curso nocturno na escola mista de chamanculo, as 18:30, existem ligacoes do chapa100 possiveis? Quanto tempo levaria?
Para mim com o problema de transporte em maputo, a probabilidade de alguem ter mais de um emprego é nula. A mobilidade de mao de obra que é um factor importante na criacao de emprego, o nosso sistema de transporte urbano nao permite isso. Deviamos calcular os custos desta falta de transporte e sua desorganizacao em maputo para o sector de servicos e industria. A probabilidade de um jovem de marracuene aceitar um emprego na costa do sol, é arripiante quando olhamos para o servico de transporte.
Sao alguns exemplos do fenomeno da bicha. Entao podiamos dizer que a culpa do meu atraso no servico é do chapa. A culpa do emprego existir so na costa do sol é do chapa. O chapa100 é a nossa culpa. Falar da pobreza e nao olhar para os fenomenos que “fabricam” essa pobreza é pensar com umbigo e nao cabeca.
quarta-feira, maio 30, 2007
tio patinhas e o umbigo
Com todos estes eventos manos é impossível não estar de boca aberta. Tudo corre e acontece, a nossa vida se tornou uma Lurdes mutola, e mais: somos gigantes. A nossa vida é quantificada com segundos e centímetros que podemos viver e mapear o mundo a nossa volta. O mundo de querer perceber as coisas não interessa, é perca de tempo. A nossa vida deve só registar e mapear a meta. Uma vida a Lurdes mutola. Somos uma nação campea, não interessa o campeonato ou a medalha, interessa cortar a meta, ser primeiro em tudo.
E tudo que não conseguimos mapear fica para os outros. Mas esses outros não existem, é nossa imaginacao. O tio patinhas que promovemos. O tio patinhas que reproduz-se nos quadradinhos que não podemos ler. Cada quadradinho é um tio patinhas diferente, mais rico, mais pobre, mais trabalhador, mais preguicoso, mais cientista, mais propagandista, mais ambulância, mais burro, mais mukherista, mais burocrata, mais pensionista, mais dumba nengueiro. Mas é o tio patinhas. Não precisamos questionar.
Porque hoje ser tio patinhas é nossa meta? Viver mais em quadradinhos e ser rico? Porque?
Então somos um pais de segundos e centímetros? Não somos. Não foram os segundos e os centímetros que fizeram o tio patinhas ser nossa imaginacao. Mas nossa mania de olhar só para metas. O que faz a lurdes mutola campea, não é a meta, ou o campeonato. Mas o conjunto de coisas pequenas que precisamos de aprender: técnica e estratégia para correr. São pequenas porque questionam a pergunta : como correr bem e chegar a meta. E não a nossa mania que temos. Correr só por correr, porque a nossa solução é cortar a meta, cortamos tudo. Então somos um pais de corta-matos para cortar a meta. Desenvolver uma técnica e estrategia para correr bem e cortar a meta não interessa a nos mocambicanos. Por isso a nossa meta é o tio patinhas: ser rico e viver em quadradinhos.
O tio patinhas na nossa imaginacao é perigoso. Porque a riqueza do tio patinhas não é para viver com a riqueza social, mas para satisfazer um ego individual. Um ego que enche quadradinhos e não uma pagina. Um ego que para o satisfazer temos que desregrar tudo, negar pensar. O mais importante é nadar no dinheiro em nelspruit e não investir naquilo que legitima a tua riqueza: a sociedade.
La famba bicha
PS – Este rumor ou teoria de conspiração já é muito velho em mocambique. Agora com o fogo no Ministério da agricultura voltou a merecer destaque na imprensa local: que o incêndio foi um acto de sabotagem. Como o crime violento nos bairros de maputo, justifica-se como um acto de sabotagem ao governo actual. Isto é sinonimo de pensar com umbigo e não com a cabeça. Interpretar estes fenómenos como acto de sabotagem é perigoso. Sabotagem é um termo usado em técnica de guerrilha e subversao. Isto significa que indirectamente estamos a alimentar um acto barbaro de quem sabota e quem é sabotado. E estamos a dar asas e legitimidade ao estado para usar meios violentos para combater sabotadores que não tem cara. Isto significa que crime sem cara promove o excesso de zelo das autoridades no cidadão inocente. Este pais já teve exemplos disso, e o assassinato de suspeitos no costa do sol é exemplo vivo disso. Sabotagem e legitimar o uso de forcas legais de reacção contra crime fora dos espaços legais e democráticos estabelecidos em mocambique. Mas do que sabotagem estamos perante um acto criminal que requer perícia da policia, trabalho aturado da procuradoria e dos tribunais, e por ultimo resolver de uma vez por todas este conflito entre burocrata e políticos.
quarta-feira, maio 16, 2007
a personalidade do utero 1
Pelo menos 18 personalidades femininas moçambicanas de sucesso em várias esferas da vida do país, vão explicar o percurso feito para chegarem aos lugares que actualmente ocupam numa conferência a realizar-se, amanhã de manha, no auditório do Instituto Camões, na cidade de Maputo. ver aqui http://www.imensis.co.mz/news/anmviewer.asp? a=8794&z=15
terça-feira, maio 15, 2007
amor de zinco
Falta de iluminação aumenta criminalidade
MAPUTO — O elevado índice de criminalidade que se tem verificado, nos últimos tempos, no bairro Singathela, no município da Matola, província de Maputo, está associado à falta de iluminação e ausência dos agentes da Lei e Ordem naquela zona residencial.
( Manuel com seus ombros altos, era um homem solitário, tinha uma língua presa, falava no pensamento, era pescador de magumba)
- vao arrancar-me os brincos, o muhivi.
( Tereza era apressada, no bairro tinha o nome de tereza-no-deixandar, porque não andava no passo dos homens, ate a saia com sua pressa ficava para trás na boleia do vento)
- Tereza você esqueceu que eu sou empresário, com o peixe de amanha posso te comprar toda banca de brincos no xipamanine.
( Tereza encolheu, estava pequena, perdeu a forca da pressa. A saia largou o vento, era branca e comprida, com uma cruz bordada no lado que cobria o traseiro)
- eu gosto da luz, posso ver teus pés e tua ruga.
( Manuel lançou um olhar a Tereza, porque os seus olhos eram lentos como mar dormente, olhou como uma eternidade, nem a vergonha da tereza teve paixão)
- no escuro é mais tranquilo, vamos ser duas pessoas, teu escuro e meu escuro.
( a voz desfaleceu, Manuel nunca amou ninguém, para ele o amor era uma magumba, existe para ser petiscado)
- e sem luz como vais saber que sou eu Tereza.
( Tereza era filha do pastor João, o mazione do bairro e chefe da policia comunitária, afinal policia também tem que ter poder de maluquecer um malfeitor, assim prometeu pastor João na sua nomeação)
- eu de olhos fechados consigo ver-te, apalpar-te a cruz que tens no traseiro.
( Manuel fechou seus olhos, suas mãos como ondas do mar roçaram Tereza que entretanto distanciou-se de Manuel, como um camelo que começa uma viagem)
excertos para a peca amor de zinco
quarta-feira, maio 09, 2007
...5.era outro mar
Pode-se
Viver
A lembrar o tempo
A demora do silêncio
O entardecer
Do riso
E vive-se
Na distância
Longe de tudo
Que pode-se
Habitar
O mar
É aqui
Onde o tempo
Não tem
Lembranças
Conta-se o dia
Na ruga desfalecida
Na morte que nasce
Ao tempo
Da lembrança
Do mar.
...4.era outro mar
Existem
Distraídas
Atentas
Palavras
Ávidas
Palavras grávidas
Despedidas
Existem
Palavras
De lavras
De homens
Palavras
Mulheres
Existem
No mar
De palavras
Grávidas
Mulheres existem.
sexta-feira, maio 04, 2007
ao meu companheiro Jeremias Ngwenha
terça-feira, maio 01, 2007
a fala sem consequencia e a responsabilizacao
poeta de mabuzina
quinta-feira, abril 26, 2007
..3. era outro mar
- hoje o dia devia parar
- e a noite devia ser longa
- nao! a noite devia ser comprida, assim como a linha que coze teu botao
- Sim, mas a linha que coze é curta. Entao a noite devia ser redonda como o botao
- entao eu quero ser uma blusa, cheia de botoes, assim como a blusa de uma princesa cigana.
- eu quero ser a camisa do palhaco, tem botoes quadrados, um em cima do outro
E a vida podia girar com outro ritmo. Assim como um chapa numa manha de domingo
- sentas sozinho
- nunca sentamos sozinho
- so falei para fabricar uma conversa
- nao sabes que no chapa a gente so fala com a janela
- na janela faz muito frio
- nao é a janela que faz frio é o medo da viagem, o corpo que ganha velocidade
- o chapa nunca viaja, salta de paragem em paragem, uma viagem tem que ter paisagem
- e tudo que fica para tras quando o chapa vuna, é o que? Um sapo que saltita meus olhos?
- é kuxa kanema, a nossa vida como povo, um documentario de sapos
- entao sou um sapo, que precisa de uma janela para visitar o mundo
Choveu para madrugar o dia hoje. Mas madrugou a desgraca. O tempo parou. E o mosquito dormiu.
- a chuva nao presta, juro.
- é romantico. Podemos molhar e lavar o corpo
- lavar o corpo? O caminho para chamanculo é matope.
- entao hoje vais ser minha arte, vou te fazer panela de barro
- e eu vou sujar-te, pintar tua alma de raiva
- porque?
- a chuva nao é para mukheristas, é para campones
- e nao tens saudades da terra?
- fugi da saudade, a unica saudade esta no sol para secar minha alma, doidar meu juizo
- o sol nao sai de casa porque alguem quer governar um juizo
- entao ele sai para que?
- para eu ver tua anca, encontrar-te na luz, entendes?
- nao, ainda nao entendeste que nao tenho juizo, falta sol.
quarta-feira, abril 18, 2007
...2. era outro mar
Crua
Que merece
O dia
Que adia
E nasce
Hoje o novo
De novo
Renasce
Sereno de gesto
Como mais um destino
Endiabrado
Na lua
Que nasce
Bravo o mar
sábado, abril 14, 2007
de-mar
De um corpo
De dois corpos
De um seio
De outra pele
N'outros olhos
De um oceano
De cada beijo
Um corpo de mar
Em momento de suor.
quarta-feira, março 28, 2007
poema 358
Uma varanda. Pequena. Com 2 vasos de jasmin. Nada mais. O idoso era meu amigo. Sentavamos, no por do sol, para passearmos a mente e a disputa dos livros que lemos durante o dia. Nem todos os dias o velho queria falar. Nao era necessario. Murmurava na jarra que regava as flores. Como a varanda era um espaco pequeno, eramos amigos encostados e carentes de qualquer dialogo.
Hoje faz 5 anos. O velho deixou de falar. A ultima palavra foi para pedir que leve o vaso de jasmin comigo. Neguei. Nao tinha tempo para tamanho sacrificio de cuidar de plantas e rega-las 3 vezes por dia. Nao contestou, eramos amigos. Aprendemos ao longo dos anos a dizer nao, era a nossa maneira de contrariar o mundo passivo que rodeiava nossa vida. E o velho assim devagarinho abracou-me, fiquei estatico e confuso. Afinal estes anos todos nunca nos abracamos. Podiamos rir e tocar o ombro do outro para chamar atencao sobre o poema que nao sabiamos declamar. O abraco foi forte, como um arrame que enrola um presente perdido. Perguntei porque do abraco. Encolheu os ombros e riu-se, o velho nao ria muito. Durante anos resolvi procurar na ruga e na barba escura algum sorriso. Tarefa dificil, nao havia dentes para contar, havia uma pequena ruga que atravessava o labio inferior. Quando a leitura era boa, a ruga desaparecia do labio. O unico sinal sorridente que aprendi a apreciar.
Cincos anos passaram tao rapido, mas hoje o dia esta lento. O vellho nao mais pode andar. A cegueira veio tao rapida como o sol que deita rapido. Estes dia leio sozinho, contemplo solitario o por do sol. Ao meu lado o velho estica-se, mexe a barba e a cinza que cai do cigarro russo que fumamos. A unica coisa que partilhamos da nossa ultima viajem a russia, perseguiamos a biografia do Neruda e Tolstoi. Na russia aprendemos que temos que fumar forte para ler.muitos anos passaram e a biografia acabou esquecida, a viajem faziamos todos os dias na enciclopedia russa e na revista Pravda. Para alem do sol, da lua, e passaros, no quinto andar somos os ultimos vizinhos, num edificio para pensionistas do exercito.
O velho de nome Armando foi um combatente, de uma companhia de artilharia. Nunca atirou, era comissario politico. Aprendeu a escrever a maquina e a ler sobre a revolucao no exercito. Segredeu-me que escreveu muito sobre a poesia de combate, era a unica poesia que nao passava pela censura. Nunca publicou. Nao havia tempo. A guerra e educacao politica do militar era importante. Segredou-me zangado. Hoje recebeu a carta do hospital militar, so pode receber tratamento se for internado. Nunca disse o velho. E escrevi nunca na carta respondendo ao medico. para Armando a morte no hospital nao tem sentido. com a velhice nao se luta, escreveu no poema 358.
sábado, março 24, 2007
no meu pais o paiol namora o calor, e no amor saiem faiscas
sexta-feira, março 09, 2007
e tu borboleta, betinha.
poeta. esse nem fala. a gravida tem ciumes. nao deixa falar. escrever. pode cocar-se. uma inocencia de uma vida dupla. a lingua e o prazer. vou preferir uma encubadora.
falando a verdade nao é medo de brincar papa e mama. a idade pesa. nao so a gravidez. um peso desqualificavel e pretencioso. assim como a brincadeira que me propoes. imagina que vou te ngungular. ja imaginaste? cara-a-cara? melhor nao falar. depois vao dizer que na poesia nao se faz asneira. suca voces.
hoje estou velho. por causa da capulana que amarrei. uma barriga tem vicios. uma capulana para embelezar a barriga que desfeia. que fazer? melhor gingar na inocencia. fingir e amarrar rugas. nao basta esfregar musila na cara, tambem temos que esfregar na barriga. ela se tornou nosso cartao de visita. nao foi assim contigo?
entao a velhice é nosso destino, como a minha barriga. nao questiona, nao nasce. vive assim quieta, mastigando minha juventude que nao mais posso aproveitar. com essas coisas nao vale-pena lutar. contra tua propria barriga? teu cartao de visitas? nao.
existe o poeta. no seu silencio. vai te acarinhar. escutar os pontapes do africaninho. fingir que ama na tua desfeia barriga. alguns dias vai-te escrever versos, para te inspirar que teus seios nao mais vao envelhecer. escrever-te que o leite que gota, é mel, prazer que nunca esgota. afinal o poeta nada mais sabe do que escrever aquilo que no sexo nao se explica. nao foi assim contigo?
terça-feira, março 06, 2007
retractos do sonho
A nhamundwa mathe
O que se pode pintar no rosto de um homem? A vida.
Quando não mais podemos chorar, falar, sorrir, resta-nos o que no homem sempre habitou, a arte, o pedaço que não foge ao olhar e ao silêncio.
A pintura empresta ao homem a palavra muda mas certa para dizer Já Basta., porque “a arte é eternamente livre” escreveu kandinsky.
Já Basta! mostra que a pintura deve ser livre, servir os homens. Retractar a exuberância da alegria, da miséria. da tristeza , da beleza, dos números, do sonho.
Mas é no sonho que reside esta pintura. No sonho do rosto que deve-se retractar, emprestar-se às fantasias do real, e medir na tela a liberdade do mundo.
A cada traço percorre-se o limite do interior , a sensoriedade do dialogo entre o sonho e o real. E ai reside o homem do rosto, que lhe faltam olhos para contemplar-se a si próprio.
Muitas vezes negamos a liberdade da pintura, talvez porque ela se retracta com retratos, e não com rostos. Nhamundwa, perscruta a vontade da liberdade, que ‘e mais que um retracto, onde o sonho se exorciza e Nhamundwa excede-lhe o sentido.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
...1
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
re-mao
de mao
grande
de mar
uma mao
de mao
com mar
grande
uma mao
de medo
fugiu para longe
grande da vida
uma mao
de mao
onde o mar
nao mede a mao.
Uma mao
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
chimuenges
do demente
era dos tenentes
senhores de guerra
a mente
de guerra
era sirene
rara na machamba do tenente
era tomate
numa mina
a mente
de guerra
dos tenentes
que escrevem memoria
da mente do demente
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
com oxigenio para SU.
sábado, fevereiro 03, 2007
falar-da-gravida
Escrever pode ser uma dor. Pequena. Do nosso tamanho. A dor que tem ruído, faz tudo que lhe apetece.
As vezes tenho a sensação que poderia viajar com ela. com a dor.
Cena II
Por muito tempo acreditei que podia descrever a dor. Torna-la comum, igual as crónicas de viagem, falar de pequenos momentos.
Cena III
Penso. Contigo. Na dor.
Na melhor maneira de escrever-te
Enviar uma mensagem
Da noite que é neste mar
Cena IV
Vou escrever como pediste. Sabes que custa escrever? Imagina. O parto. Sou da gravidez de 12 meses, de ventre ambulante . Todas as mulheres foram minhas mães, uma por hora, outras por dias, aquelas que queriam mais tempo não pude dá-las, afinal queria ser justo com o ventre delas.
Cena V
A porta. na Dor.
Enorme e barulhenta
Amistosa e distraída
A Porta
Torta
E Talhada
A ferro ou a madeira
Tem a maldade
Da porta. da dor.
Dor do mar
Cena VI
Aquelas que toda noite fui sonho delas, queriam que o parto fosse com elas, por vezes encontrei barrigas quentes, dóceis e bonitas. Eram barrigas de cegonhas para a minha mãe.
Cena VII
Umas eram estúpidas
Davam-me nomes esquisitos
Falaram da tristeza, a que
Me espera
Fora do ventre
Cena VIII
Aprendi
Que a barriga tem a beleza do mar
Serve para tudo
Da vergonha ao orgulho
Cena IX
Contam que na noite o mar não dorme. Nunca se perguntou a razão à noite.
O mar não aceitou o meu convite ao sono. Agora dou-lhe razão, o sono deixou de ser milagroso: ao se acordar os corpos continuam famintos e a religião domina a esperança, as lágrimas continuam a salgar o mar.
praga sem mar
Imagina.
Que hoje o dia tem direito
a queixar-se.
Falar
como homem
aos homens.
Dizer
o que lhe vai
no seu dia prolongado
na mentira da noite.
Imagina.
Que tu serias
o confessionario.
Onde
o dia
de cócoras
contaria a verdade
para que sexo
o dia pende.
Para o mar?
Imagina.
terça-feira, janeiro 30, 2007
palhota e um coracao urbano
Existe
uma terra
maligna mulher pessoa
feminina
de barriga
grande
uma terra
gravida sexualizada
com preguica de rapaz
existe
muita terra
de muitas ventres palavras
sem vozes sem lingua
existe
uma terra
de contenente de paises
sem gente
Existe
uma terra
com seios caidos excitados
gostosos
uma terra de apetite
de fome
de cores
uma terra de homens.
a tonalidade da vida - chicuembos
09.07.03,
16:49
Se eu tivesse que escrever a uma mulher, para dize-la que o meu amor por ela vive. O que escreveria? que pudesse descrever com palavras a dimensao do sentimento. O que? Escreveria sobre a cor do meu coracao, seria um pre-texto do que vive e cria alquimia no coracao de um mufana. Mas do que vale a cor sem o brilho, a tonalidade da vida? E quantas cores podem pintar um coracao? Eu queria ter um coracao azul, da cor de mar, do ceu. Um coracao profundo, navegavel, intenso como a vida marinha, sonhador como buzios. E tu que marinho serias? Um peixe ou uma alga? Eu queria que tu fosses o sal, se nao o sonho que acompanha os buzios. A minha dor compara-se ao mar sem sal, o ceu sem estrelas, ou estrelas sem sonho – porque o sonho comanda a vida. Outra pedra filosofal? de um homem.
Nao sou um mar qualquer. Sou um mar que te conhece. Navegavel por ti. Um mar de todos os mares, um mar de uma mulher so. Um mares...
17:40
segunda-feira, janeiro 29, 2007
a fala do lixo no mocambiqueonline.
juro palavra "d'honra" que esta gente nem esta ai meu irmao. nem com o dinheiro dos terrenos do triunfo, nao conseguiram plantar acacias, os terrenos ja acabaram agora precisa-se buscar solucoes para alimentar muita gente e sistema que nao funciona.
nao se domina um gato agarrando a cauda, mas sim pela cabeca e cortando unhas.
acredito em solucoes locais e sustentaveis, sao discutiveis. porque conheco-as, foram minha realidade e sao ainda hoje uma coisa inovadora.
anos oitenta e noventa, vi muita gente no suburbio de tchova xita duma recolhendo garrafas, objectos de vidro, pedacos de madeira,papel, lixo socialmente reciclavel, que depois vendia-se a outros revendedores que depois revendiam a vidreira, a laurentina, implama, construtoras, carpentarias, e outros recicladores e aproveitadores do "lixo". esses homens de tchova xita duma, sabiam bem separar o reciclavel, "deitar fora" no lugar proprio o nao reciclavel, aproveitar o socialmente aproveitavel. e conheco mocambicanos que ficaram "empresarios" do lixo na altura e acabaram comprando bancas no xipamanine e reconstruir ali no suburbio as suas casas. ali na avenida do zixaxa, perto ca casa fabiao e anuaril, havia ali uma casa de um mocambicano de origem indiana que reconstruiu a sua madeirazinco e educou seus filhos, a sua famila teve uma barbearia com investimento do "lixo".e muitos outros tchovas que apartir de xipamanine, bazuca, espada, vulcano, "invadiam" os bairros de maputo procurando "lixo". eu conheci-os porque matabichavam com as minhas chamussas e matoritori. esta experiencia, num pais onde nao e problema ter um "tchova", ter uma mao de obra aos milhoes, gente que conhece o suburbio, gente que sabe penetrar nos caminhos sinuosos e intransitaveis por meios circulantes "normais" do nosso municipio, gente que organizado em cooperativas, com um pequeno curso de como tratar o lixo, com uma "pequena engenharia" no tchova, que nos mesmos produzimos com nossa tecnologia made in mocambique, para poder criar diferentes compartimentos para separar e transportar o lixo, juro que isso funciona. o municipio podia fixar um contracto de pagamento, o criterio podia ser por zona (para evitar lutas e aproveitores do "deixa destruir" e podia se usar o criterio de zonas aplicado a chapas100's), pelo volume, pelo tipo de lixo, criterios minimos higiene, etc. e para a outra fase que e de incineracao, de transporte e deposito na lixeira, de reciclagem, podiam entrar os mais especializados, tambem ai nao vejo problema que nao exista pequenos empresarios "mukheristas" nossos que nao gostariam de fazer um negocio legal do lixo (bastava tambem ajuda-los aumentando o know-how deles no transporte, uso e tratamento do lixo). e no bairro manos todos nos sabemos que quanto o matine diz " ma dalicenca, ma contentor haleno" toda gente sabe que matine vem recolher livro, empresario do tchova, fazendo a mola dele e limpando a cidade.
outra experiencia temos de uma empresa ( acho que fapacar), nao me lembro do nome, mas andava la para zonas do bairro vinte e cinco de junho ou coisas do benfica, fez uma campanha para os maputenses reciclarem o papel, nas esquinas de maputo havia um contentor, ate "mendigos" estavam envolvidos, papel no chao valia "mola" , a cidade andou limpa. a empresa nao sei onde anda, ninguem olhou nestas iniciativas locais. atraves da sua experienca de recolha e reciclagem do papel podia expandir a sua area para outro "lixo reciclavel". e papel reciclado e economico e sustentavel: temos graficas, escolas que nem tem cartolina e papel caqui para escrever e desenhar, os nossos "artistas" da escola de artes visuas e nucleo de arte para suas esculturas e etc. (basta pedir ao fiel dos santos para juntar a malta dele para uma demonstracao de como se reciclam os jornais para a arte, ou os jovens emprendedores da mozarte para demonstrarem como se aproveita papel para decoracao, agendas, candeiros, etc)
hoje pagamos taxas de lixo, pagamos consultorias, hoje vao entrar ate empresas portuguesas para fazer aquilo que o "tchova" faz barato e nao faz bem porque ninguem lhe quer ensinar.
nao e verdade o que alguns aqui no forum dizem, que e coisas de mocambicanos fazer lixeira e sujeira em tudo, no bairro as pessoas enterram o lixo ou fazem fogo. nos mocambicanos nao gostamos de lixo, so que ninguem com autoridade e inteligencia quer olhar para estas coisas. precisamos de ambintalistas,arquitectos, engenheiros civis, economistas, engenheiros de saneamento, urbanistas, especialistas de saude publica? sim e muito, mas se nao pensamos localmente e contando com as nossas proprias tecnologias, vamos ser um pais de ignorantes que exportamos madeira porque pensamos com falsidade da ganancia que o nossa escola nao precisa de bancos, o hospital nao precisa de camas, que a nossa casa so se constroi com cimento de investidores estrangeiros, que para por uma torneira de agua no suburbio precisamos de construtores e engenheiros chineses, e mais outras "engenharias do inteligente" que so envergonham.
para mim acho que nao custa tentar. vai falhar? pode ate falhar, mas falhamos orgulhosamento mocambicanos. nisso ate deus desculpa.
outro amigo vai dizer que hoje precisamos de estar "globalizados tecnologicamente" ou precisamos de solucoes com dimensao de maputo e "especialidades" importadas, nao estou contra essa ideia, ate pode ajudar.o problema da globalizacao esta nesta maneira globalizante de deixarmos os outros "gananciosos" imporem as nossas necessidades e que so sao satisfeitas com solucoes vindas deles. Fazem nos ter fome para darem-nos de comer e controlar nossas mentes, fazem-nos pensar que eles sabem melhor que nos, do que precisamos, atrofiam a nossa mente e olhar, acreditamos mais neles do que na nossa capacidade de solucionar sem eles, fazem-nos ter medo de pensar segundo o nosso umbigo. porque para eles a nossa barriga e de vidro.
entao manos, o municpio tem que explicar bem "essa cena" de aumentar taxas e explicar segundo a necessidade do nosso umbigo. por favor senhores vereadores.
la famba bicha
jorgematine
domingo, janeiro 28, 2007
Haja chateacao e ponto final
quinta-feira, janeiro 25, 2007
pivo.rum.zensky.nic.nepises.
O tempo. Hoje faz frio. Uma bengala atirada no meio da Estrada. Imagino que representa uma morte. Um velho atropelado. Uma morte corrida. Sem adeus. Faz frio.
Um vento ameno. Rua silenciosa. Um cao que ladra. E uma bengala. De Madeira. De pau preto. Assim comeca um dia de fevereiro, quando todas as manhas tenho que percorrer as ruas de Ostrava. Sou o prisioneiro da pressa, do carro electrico, que nunca atrasa. Aqui atrasam os homens e nao o relogio. A nossa paciencia esta como uma ventrina que vai pelos electricos e a raiva de que perdemos a corrida, o relogio da electricidade.
A bengala. Nao se move. É de madeira. velha. Pau preto. De homem branco. Imagino.Toda gente corre e a bengala fica. Na morte de quem a deixou. Aqui os homens nao gostam da vida de outros. Sao civilizados. Dizem. Porque saber da vida dos outros se temos a televisao do big brother. Murmuram. E os meus ombros desesperados caiem. Desfarcados na bengála de pau preto.
- Tens horas
Pergunta a senhora.
- Hum
(Respiro. O vento passa. A saia espreita. Tem pernas.Tem rugas. Esta cansada).
- Nao sei. Deve ser um quarto para as oito.
( Sou miope. o pulso para o peito. Um gesto mecanico, o osso da mao estica, um estalo, doi)
- Este velho deve ter morrido?
( Murmurio. A voz é tremula.) Caramba do frio.
A senhora olha. O silencio cruza com o carro que passa. Assim ficamos. Com o silencio. mais uma vez o vento levanta a saia.
- Morreu?
( Olha para o ceu. Fungando) As nuvens sao sempre as mesmas . Vao sempre para o norte. Nao ha mar.( nao ha maresia) Nao ha andorinhas para anunciar a chuva. O ceu é sempre cinzento. o azul so existe nos olhos da senhora.
- A bengala esta viva.
As maos vao para o bolso. As chaves beliscam. O tempo passa com a cumplicidade das nuvens que vao para norte. ( a senhora olha, procura a bengala, arranja a saia. É transparente. Posso ver a perna gorda. O joelho cansado. Deve doer tratar uma perna assim. Deve ser uma perna de muita viagem. Tem rugas profundas, parecem escritas a lapis, interminaveis entre o joelho e a anca)
- Se andam a procura dele nao deve ter morrido.
Olha-me, busca cumplicidade. A saia irrita a mao que segura. Contorna o vento. Finjo que acompanho as nuvens. ( a bengala deve ser de um conhecido). A cumplicidade da morte tem dessas coisas. Queria ser o vento que levanta a saia (Penso).
- Mas ele nao pode andar sem bengala. Nao chega a lado nenhum.
Murmurio. O vento sopra, assobia baixinho. O electrico pára. Falta um gesto para abrir-se a porta. ( como posso abandonar a bengala?).
Cena II
O ceu esta cinzento. Chove de quando em vez, quando a vez chega ate chove demais. Mas essa vez foi so uma vez. E tivemos cheias, todo o pais parecia uma praia sem ondas, muita agua, nao salgada. Tambem dessa vez a chuva trouxe luto. Para tudo. Os passaros estavam de preto.
Hoje o ceu esta mais perto do tecto. Pela primeira vez o ceu tem limite.
- Mas ele parece saudavel.
( Resolveu beliscar-me. Tem unhas pintadas. Um pouco afiadas. Vermelhas)
- Pode andar?
( tossir um pouco para domesticar a dor. Beliscou-me. Mulher ousada)
- Eles andam toda a cidade.
Como pode ela estar tao certa. ( a idade tem certezas. Tem cinquenta anos. Entre a blusa e os seios esta a idade. A idade do mamilo. Esta fresco. Uma pera. Parece. Um pera grande.Doce. Branca.Uma pera dentro de uma blusa)
- A bengala é velha. De pau preto. Morreu sem levar a bengala
Olhou-me. Irritada levou a mao ao peito. Apalpou as mamas. Olhou-me.( podia ver que uma mulher irrita-se com a morte. Uma morte com mulher nao combina)
- Porque queres falar da bengala?
Ameacou-me. Recuei. Sempre gostei de sapatos leves. Amarelos. A cor sempre conta nesta coisa de andar pela rua. Nao faz sentido ter sapatos pretos. Numa cidade cinzenta.
- Acho que nao queria morrer sem bengala
( Pensei rapido) Uma morte tem que ter acompanhantes. Uma supersticao. Um segredo para coisas da morte. Morrer é uma corrida. É preciso levar um presente na morte.Ajuda na corrida. ( arranja a saia. A mao desliza. A ruga separa o baton. Os seios continuam trepados)
- O senhor nao vai apanhar o electrico?
(Perguntou). O electrico continua parado. Esperando o relogio. A hora vale pelos seus segundos. Pelo ponteiro que visualiza o painel do condutor electrico. ( ela desvia o olhar. Parece pensativa. Adulta por uns momentos). A bolsa escorrega. Tropeca na anca. (rapido a mao segura).
- vou apanhar a bengala.
A saia. Uma estore. (penso). O frio assobia, estica a pele.
III
In amor de zinco ( texto que nega terminar, os bares de ostrava nao deixaram) , de jorgematine
quarta-feira, janeiro 24, 2007
A cidade com lua nos dentes
na cidade dos outros, vivem outros homens, gente da capital. a capital da cidade dos outros.
Na cidade dos outros nao ha noite. Todos vivemos no dia.É dos outros porque roubaram-nos a noite. Ficamos sem estrelas, sem lua e o escuro. Porque quem tira tudo da alguma coisa. Deram-nos o lixo. E eu fiquei triste. Chamei-a cidade dos outros. Como podem roubar uma lua por um entulho de lixo? Quantas estrelas tem o valor de latas de coca cola na rua. Quantas? Apartir de hoje a cidade é deles. Roubaram-nos lua, as estrelas, o escuro. Entao que fiquem com ela. Sem o escuro.
O escuro. No chamanculo o escuro é magico. Era. Aprendemos a amar o escuro. Melhor, a amar no escuro. Fazer TPC na luz da lua. Como era bom ver os zincos com buracos. Amar a lua aos buracos. Dormir com um tecto de buracos de lua. Assim amei o escuro. Tropecar na cegueira da vida. Era assim. No chamanculo.
Lembras te. Do mutumbela. No escuro. Com a lua a fazer gogo. E nos com as vizinhas da brincadeira inventavamos o ngungu. E agora que roubaram-nos a lua? Onde esta a magia de esconder-se, de perseguir a Rosa sem ser ngungulado, onde esta a magia? De correr e tropecar com o lixo e nao com a boca da rosita?
A boca da rosita.era outra coisa. No escuro. Nao tinha muitos dentes. Mas tinha o feitico do escuro. Para que ter dentes se a lua era nossa magia? A boca da rosita. Era minha almofada da noite. Rosita.
Rosita. Era escura. Escura como a noite. Por isso amei-a de noite. Para mim era gemea da noite. As duas andavam sempre juntas. abraçadas. Magra como os caminhos que corriamos, leve como como os zincos que roçavamos. As vezes tinha medo, de a confundir com a noite. Mas eram gemeas, podia beijar as duas.
As vezes ngungulava com as duas. Mas agora com tanto lixo e sem lua onde ngungular? Nao ha noite. Ja nao dormimos. Nao ha noite. Nao ha sonhos. O dia nao quer noite. So quer lixo. Ja nao é a minha cidade. É a cidade dos outros. Quem pode viver sem o escuro, sem lua, sem sonhos. Sem escuro como posso ngungular com a rosita? Entao que fiquem eles com a cidade deles.
A cidade deles. É feita de lixo. Ninguem dorme. A lua é fome, as estrelas sao malaria, o escuro é colera. É a cidade deles.
A cidade deles. Nasci la, cresci la.e vou viver la. No escuro. Mas era o escuro da vida. Do amor sem dentes. Agora a cidade é deles.sem escuro. Hoje quero um apagao. Para inventar a minha cidade.com a lua nos dentes.
terça-feira, janeiro 23, 2007
txonaddos e chamboaqueados no jazz da vida II
estao a casar, porque a mania da vida prende, o vicio dos naturais e mortais. afinal o dumba nengue esta no fajardo? enganam-se, o lar tem isso. um dumba nengue na mania de familia, legalizar o trade, como dizia a zaida: toma-que-dou, wena pa hip na hop da vida. agora tem que ter sorte, casamento vive se de gorjetas, uma delas chama-se sorte, outra amor, outra amigos, outra filhos, outra cultura, outra money, uma xidjumba de sorte...musiica...agora precisa-se de capulana para amarrar a xidjumba...
quando se malandra um coracao II
nachingweya I I I- para uma sociologia de pobreza
...acordei pensando numa grávida...uma sexta-feira podia ser o dia das grávidas...da bebida sem espuma, sem copo...eu gosto das grávidas grandes, aquela grávida de 12 meses, quente, ciumenta...aquela grávida redonda como a Lua, maluca como as putas noites de Maputo...mas seria uma grávida igual as outras, as vezes, podia amar um filho...mas agora sei que não seria uma grávida qualquer como a espuma que bebemos, seria uma grávida de muitas barrigas, meu ventre seria cada barriga destas mulheres de Maputo, para sentir, acaricia-las o umbigo de todos os dias, fazer destas mulheres redondas e meigas, barrigudas e preguiçosas... seriam mulheres feias e princesas pela grávida que amam...então nachingweya hoje quero ser uma grávida...onde cada barraca seria meu aborto e cada sexo meu parto...imaginas a barriga que seria minha nesta noite? todas sextas-feiras tenho sonhos esquisitos...faltam-me pretas para beija-las o umbigo, engravida-las as escondidas, de preferência na chapa de zinco, no murro que desaba e fazer outro africaninho na sombra da acacia, como fazem as barrigas de Maputo...e esta hein? Melhor voltar para cama...
calcuta - homenagem ao utero
nachingweya I I - para uma sociologia de pobreza
herdeiro da vida malandra. a unica coisa que vou herdar sao mulalas e buracos da rua estacio dias...e algumas surumas e balas deixadas pela colombia que nos persegue ate ao suburbio...babalaze de hienas como dizia craveirinha...porque nao gosto de homens sem palavra: como ficou a tua contribuicao para chapa100?...ficou no dumba nengue da vida? vamos trabalhar malandro...nunca te disseram que as mulheres de chamanculo ja nao querem homens que nao tem curso de mukherista?..
nachingweya I - para uma sociologia de pobreza
xitala mate
quandro se malandra um coracao
roubei teu sorriso, esta guardado num embrulho de seda...roubei porque sorriso nao tinha preco...estava aos montinhos, a cebola e o tomate tambem...o preco emigrou com a lagrima...deixaram o sal tambem aos montinhos sem preco...roubei o sorriso, assim como se rouba uma joia cara, embrulhar e depois fugir e fugir sempre...
segunda-feira, outubro 09, 2006
No mukhero da vida, Maputo
Como sempre apareces no fim para justificar. Uma coisa romântica da tua parte. Humus. Nestas coisas de caçar mulheres casadas tem destas coisas, vives sempre na expectativa de um olhar distraído para ama-la de novo, roubar um pouco da anca dela, assim como se rouba o ponteiro do relógio. Mas betinha sabe fugir destas coisas, uma arte.
a minha vida. Esta para um pescador sem barco. Estou na margem, lanço a rede de longe, a rede não chega a Maputo. Mas tento. Vivo de saudades. Aqui tem umas brancas que tentam me consolar. Sabes que os seios de uma mulher são sempre quentes e amigas para consolar. E durmo nesse consolo. Bêbado da minha própria saudade.
Passo a vida voando, numa Europa pequena. Finjo que sou internacional. Coisas de um passaporte que sempre precisa de visa para tudo que é Europa. Adoro Londres, sinto-me em casa, tantos negros, tantos indianos, paquistaneses, chineses. Londres é a maior lixeira humana do mundo. Cheira bem, o entulho tem vida, a vida tem beleza porque pode se reciclar. Mas gosto dos parques que são do tamanho do meu chamanculo, dos bazares de rua, do cari indiano, do peixe libanês, da mandioca ghaniana. Assim vivo em Londres. Onde tudo custa muito dinheiro. Todos fingimos que vivemos bem, mas passamos noites a contar trocos e a comer pão com manteiga. A dor de ser internacional.
Praga, tem magia, tenho lá alunos e minha ilha de conhecimento. As mulheres são lindas, parecem lulas da quirimba, são tudo, como uma macua que nunca tive. Porque vive-se barato, posso ser boémio, escrever, jazz ar pelas ruas. A experiencia de dar aulas no pais que não e teu, dói, a língua que maltrata, a cor da pele que te sufoca porque todos não entendem que sou um preto muito grande, muito pais, muito de fome, de guerra civil, de muita luta. Então ensino, e gosto muito, talvez seria essa minha vida para Maputo no futuro.
Futuro. Sempre gostei de ver os outros jogarem berlindes. Ver rolar para um buraco. Fingir que se tem pontaria. Afinar o olho. Fazer batota. Assim parece o futuro na minha terra. Todos fingimos que temos pontaria, mas esperamos que nosso adversário se distraia, para empurrarmos com as mãos, uma batota de crianças, dói mas sempre perdoamos, porque somos crianças. Mas nestes dias dói muito, porque sou adulto. batota-se a vida em Maputo, afina-se o olho e roubam-te a vida, o país. Pena que não há dumba-nengues para sonhos. Porque queria ser mukherista do sonho. Seria fantástico, em vez de vender um vinho vida, venderia um cartão de 5 litros de sonho. Uma banca cheia de sonho.
Mukheros da vida. São os meninos de Maputo. Dizem que são da rua. Porque rua é singular, ruas é plural. Então são das ruas os meninos. Os molwenes como chamaram ZITA. Como ontem estão lá, na rua de Maputo. Limpando um motor Dubai, japan, south africa, and so on. Não jogam berlindes. Jogam a vida. Eram crianças da rua, depois meninos de rua, agora adultos da rua. Conheço-os , Minha gangue. Porque a rua foi a nossa escola, aprendemos que existem muitos papas e mamas. Mas somos filhos de papa e mama incógnitos. Algumas vezes chamam a gangue, para dizer que somos filhos de Moçambique.
Filhos de Moçambique. Eu sou
