segunda-feira, setembro 10, 2007

la famba bicha 10


os ultimos 3 meses tem sido uma batalha para manter o blog. mas nao ha razoes para alarmes, assim voltamos nos com o mesmo barulho de sempre. no encontro com os blogistas realizado no SNJ, ficaram tarefas por cumprir. como sempre sao tarefas. faltam elos para poderem rolar, para fugir da linguagem desenvolvimentista de termos de referencia. faltava escalar tres distritos, montepuez, chiure e mandimba, o pais de mim (eduardo white). o chapa100 tem esta obrigatoriedade, visitar os escondidos mundos do metical. so apartir de 26 de setembro voltarei a actividade de docencia, com a obrigatoriedade de escrever, mesmo com xibalo. neste momento aproveitamos esta coisa de trabalho de campo e consultorias para beliscar este pais de norte a sul. como escreveu armando artur somos estrangeiros de nos proprios, nesta terra de algodao e oiro ( raul Honwana).
nesta corrida pelo pais tres coisas destacam nosso pais: as bichas do BIM, A rede da telefonia movel que brinca ao esconde-espreita-esconde e liga-mais-tarde, os camionistas de madeira assaltando os distritos e amontoando madeira nos postos de controle.
gostaria de pedir ajuda aqui dos confrades blogistas, em especial ao ilidio macia, que direito tem uma empresa em fazer o pagamento do meu salario atraves do BIM? eu como trabalhador tenho o direiro de escolher a forma de pagamento do meu salario pelo trabalho realizado? posso escolher o banco que quero? quem paga pelas horas que dispenso nas bichas do BIM? como posso justificar uma falta ou atraso ao local trabalho devido ao tempo perdido na bicha do BIM para levantar meu ordenado? os prejuizos decorrentes do atraso na transferencia bancaria para fechar um negocio quem assume, o banco ou a bicha?
na cidade de XAI-XAI os pacientes pediam que eu interviesse na farmacia para obter vale, para levantar medicamentos, porque nao conseguiam levantar metical no banco. recebiamos casos de desmaios e mal estar de pessoas devido a longa bicha debaixo de sol. de quem e a responsabilizacao por isso?

sexta-feira, agosto 31, 2007

retractos do sonho 2



as vezes viajamos no tempo das coisas. conhecemos o mundo. outras vezes o mundo vem ao nosso encontro. com uma lingua diferente e uma mao rasante. nesta tarefa de descobrir pequenos mundos e porque a palhota persegue-nos. convidei a mocambique jovens criadores checos, que durante estes ultimos 4 anos temos produzido e registado varias palhotas e madeirazincos da europa central.
aqui vai um convite provisorio para ver alguns videos/filmes produzidos pelos melhores e jovens autores selecionados para o festival, o maior festival de cinema na europa central, o karlovy Vary (ver: http://www.kviff.com/ ).

quinta-feira, agosto 23, 2007

la famba bicha 9

durante esta ausencia prolongada no blog, motivada na razao de devolver a nossa profissao a practica, vou lendo os pequenos mundos que rodeiam esta profissao. Um dos mundos que rodeia esta profissao e a distancia das coisas. aprendemos que na distancia nao podemos ter desculpas. temos que estar la e trabalhar. e trabalhar e isso mesmo, negar que nao estamos distantes, que estamos perto da solucao, que estamos certos que curamos "tudo" que de nos esperam. dizem que sao coisas da profissao. quem me dera que as outras profissoes fossem assim. pelos menos vizinhas desta forma de namorar a distancia das coisas.
a cada vez que pergunto sobre a distancia das coisas, o enfermeiro sorri. e os meus ombros nao caiem, nao desfalecem, revoltam-se. e o enfermeiro segura meu ombro e sente que a minha revolta esta nas lagrimas que nao consigo segura-las. nesta distancia das coisas aprendemos que a vida esta mais cansada dela propria, que nao passamos de profissionais para devolver ,na distancia, a dignidade a dor e a qualidade a morte.
e com o tempo a distancia toma conta de nos. paramos de questionar o mundo a nossa volta. a lagrima aprende a ficar presa como o orvalho que prende-se a uma folha desmamada.e com o tempo descobrimos que a distancia constroi uma ilha e nao a terra isolada.

quarta-feira, agosto 08, 2007

a personalidade do utero 2

a barriga. dizem os outros que é sagrada. porque nasce. porque acalenta. porque esconde. porque abre portas. é nosso cartao de visitas. a barriga, redonda, quadrada, feia, bonita, carinhosa, ciumenta, catolica, budista, muculmana, é uma barriga. nao interessa o diploma, a palhota ou o mercedes. ela persegue-nos. assim como a lingua. ela so aprende nos lugares por nos habitados, a lingua dos outros, a lingua do metical, ou da convivencia social. afinal de contas é uma barriga. O antonio Gedao dizia que os sonhos comandam a vida, o einstein dizia que o conhecimento comanda a vida, aqui na minha terra é a barriga que comanda a vida.
a nossa barriga, na minha terra, diz tudo. é simbolo da nossa vivencia com o mundo. temos a barriga de dirigente, de mukherista, de pobre, de empresario, de intelectual, da vida boa, da santa, da ma vida, da falta de moral, isso mesmo. existem como nao devia de ser barrigas mais especiais, iguais a barriga da cegonha, como minha mae explicou meu nascimento. enganei-me.

terça-feira, julho 31, 2007

la famba bicha 7

Os problemas de um pais sao abordados? onde? sao discutidos ou engolidos? alguns amigos meus vao dizer que a esteira seria o melhor lugar. Porque quem tem problema senta na esteira e quem tem poder para resolver senta-se na cadeira. O problema deixa de existir quando a cadeira desaparece. Entao para os meus botoes o problema esta na cadeira. E para o meu instinto o problema esta no homem que nela senta.
Para isto nao basta o "saber". Precisa-se fazer crer que existe uma cadeira de um homem que tem solucoes. Para alguns a cadeira resolve tudo: feitico, amor negado, dinheiro, atrasos de salario, amante perigosa, bichas, falta de transporte, malaria, SIDA, Pensar direito, um infinito de resolucoes e solucoes. O poder esta na cadeira e nao no homem, uma "descoberta" perigosa que esta a dar frutos no pais.

quarta-feira, julho 25, 2007

la famba bicha 6

"O sacrifício de Tântalo: desDOADORizar as eleições (1)" ver no blog do carlos serra, diario de um sociologo
existe dinheiro responsavel, que pensa. o metical tambem pensa, tem responsabilidade. mas de uma maneira diferente. agora que este pais "virou" um palco interessante de politica internacional. sempre foi, mesmo nos tempos do alinhado e nao alinhado. agora no tempo de exemplo de sucesso tambem sofre mutacao, da mesma maneira que roma foi substituida por bruxelas, e ilha de mocambique pela lourenco marques. a mao de dar tambem muda, porque o pedinte ficou esperto e "amante" da desculpa da preguica.
ser mendigo tem sua arte, a responsabilidade de dignificar a esmola, por isso ele pede e nao arranca. e quando o mendigo muda de tactica nao pode esquecer a esmola do passado, sera sempre um referencia para calcular a esmola do outro.
a entrada dos chineses, indianos e outros parceiros economicamente forte, na logica mundial, tambem mudou a relacao e o poder da ajuda. quando existem descobertas que na esmola tambem existe rivalidade, entao a esmola tem condicoes: pedir com respeito, guadar o carro, lavar o carro,nao comprar alchool, etc.
acho que estamos perante um braco de ferro interessante, politicamente somos os pedintes mais comprometidos com a responsabilidade da esmola, mas tecnicamente somos os mais ineficientes e irresponsaveis na responsabilidade do uso da esmola. aqui os doadores querem mostrar ate que ponto sao imprescendiveis, marteketizar o capital de ajuda e influencia politico-socioeconomica, ganha nos anos pos-guerra. para os outros a unica "plataforma" possivel para travar o fenomeno do centralismo politico e o Uno-partidarismo democratico.
entao nao estamos perante uma esmola que nao pensa. na esmola esta uma mao direita que da e uma mao esquerda que exige. um catolicismo capitalista e de poder estrategico.

sexta-feira, julho 20, 2007

txonaddos e chamboaqueados no jazz da vida III

Ibrahimo. seu nome. nao foi preciso apresentar-me. ele conhece-me. nao sei donde. talvez de uma cumplicidade anonima. Ibrahimo vende bolinhos fritos. eu vendia chamussas.
Eu vendia chamussas nos anos oitenta, eu candongueiro, no socialismo cientifico. Ibrahimo, no ano dois mil e sete, ele vendedor ambulante, no capitalismo selvagem. o tempo passa e a vontade de ser crianca continua refem de um sistema que precisa de criancas. somos anonimos.
Ibrahimo e perseguido pela policia municipal, eu era perseguido pelo miliciano. somos parentes de um destino adiado. as nossas maes deviam ser irmas, nao de sangue, mas de um ventre pobre.
Ibrahimo, nao fala muito, porque as palavras sao sempre as mesma: compra bolinhos senhor. seus olhos sao negros e cansados, como o suor que banha seu rosto. vigio-o da minha janela. a bacia de bolinhos corre ao ritmo das janelas do autocarro e das vozes gritantes que chamam pelos vendedores que assaltam o autocarro.
digo ao cobrador que vou descer nesta paragem. afinal nao vais para nacala? pergunta o cobrador boca-aberto com o cliente sem palavra. resmunguei e pago uma nota de 25 MTn.
Ja na estrada chamo pelo Ibrahimo, ele corre com a bacia de bolinhos e nao com os pes. estao pesados. a bacia devia pesar uns 10 kilos para oito anos da sua idade.

assim conheci o Ibrahimo Assane.afinal somos filhos do mesmo pais, mocambique.

la famba bicha 4

o que maputo tem de extraordinario. pergunto a mim mesmo. afinal as viagens sao para isso. questionar a nossa propria certeza. descobri que maputo tem de extraordinario uma capital. para quem vive na periferia uma capital e um olho gigante. tens o melhor angulo para calcular tudo, ate a preguica dos outros. na capital somos educados que a pressa, a falta de tempo pode ser um cartao de visitas para classificar os outros de prestaveis. e o pais desenvolve-se a volta dos prestaveis. aqueles que sabem tirar partido da pressa e da falta de tempo. um recurso esgotavel, na terra de meticais.
afinal existe um mundo onde a pressa e a falta de tempo nao interessa. lugares onde existem capitais nao extraordinarias. onde a pressa e a falta de tempo nao tem prestacao possivel. uma capital de um pais honestamente diferente. onde tudo interpreta-se na noite ou no dia. os encontros nao sao feitos na agenda que categoriza a hora, mas na arvore que oferece a sombra. aqui aprende-se a esperar ate o tempo desaparecer. esperar e mais extraordinario que a pressa. na espera namora-se o mundo que nos rodeia, a capital dos outros.

quarta-feira, julho 04, 2007

la famba bicha 3

aqui volto. nao esqueci do dever de alimentar o chapa100. mas as estradas estao cheias de surpresas e visitas. ha 20 dias estou e vou viajando por Mocambique, Cabo Delgado, Nampula e Tete. aprendi a ver o pais com seus meticais. um pais que gira, ginga, empobrece, enriquece, abandonado, amparado, amado. As vezes o mundo gira tao rapido, com metros e segundos que namoram nosso espanto: os sobreviventes do metical. mas o mundo gira. feito de pequenos globos, de gente, etnia, distrito e pequenos paises de meticais faltosos. uma ilha de vontades e sonhos.

sonhos. todos sonham, alguns mais altos, outros mais rastejantes. mas sao sonhos de muitos sonos e insonias. alguns de uma cama macia, outros de um chao duro. mas porque parar de sonhar? pergunto aos meus guias. E eles tropecam na minha pergunta. para eles o sonho nao existe assim tao humano e cheio de vontade. porque sonhar quando falta tudo? perguntam. vi que as perguntas sao importantes. nao pela resposta. mas pela falta de resposta. e o mundo gira, com sonhos emprestados, alugados ou roubados, o mundo gira. pode parecer lento, porque nao ha relogio, com prazer da vida, de transformar sonhos.

no caminho. mapea-se tudo. uma arte antropologica de estimar tudo. aquelas coisas que nos fazem rir. afinal quem chora tem que saber rir. nao existe outro alento para isso. onde falta lapis nao falta um sorriso de crianca, onde falta aspirina nao falta um acenar de boa viagem. e o pais vai nascendo assim. uma gravidez constante. nascem aos mil. e a escola ensina as dezenas. nao ha recurso neste pais capaz de acompanhar e acalentar esta barriga que nasce a cada minuto. somos um pais de criancas, numa miseria de adultos: calculamos a nossa pobreza nao nos filhos que morrem, mas que nascem.

nestes caminhos somos estrangeiros da ciencia. nao ha logica para entender as coisas. elas acontecem. porque para muitos a explicacao ja esta abencoada. nao questionar faz parte do amor que embelezamos o encontro com o outro. o sexo, a vida, o dia, a noite, a religiao, o sol, o corpo, o caminhar, o dinheiro, a troca, a compra, a escrita, o conto, o romance, a poesia, o canto, a danca, servem o misterio para explicar os fenomenos que fogem a pergunta sobre a logica das coisas. as coisas existem porque tem que existir. e assim sobrevivem no tempo. amamos as coisas por elas existem e nao porque sao inventadas e sonhadas.

e desenha-se o pais numa caixa magica e seus acessorios. a caixa magica nao tem mais nada que telenovelas e sms para quebrar nossa rotina e fazer de conta que descobrimos o outro. os acessorios, sao outras naus do vasco da gama, tem rotas diferentes mas vivem a mesma cultura, descobrir o outro como mercado e produto: Mcel e coca cola. nao ha disputa possivel, com capitalismo se namora tudo, pelado ou vestido, nao interessa. e assim ama-se um pais acreditem.


sexta-feira, junho 29, 2007

la famba bicha 1

vou comecar aqui no blog a publicacao de algumas notas de discussao sobre varios pontos que ja nao consigo ficar calado sem poder reflectir sobre eles. a reflexao sera produto da minha pressa e atropelos chapacentados do registo que poderei fazer dos temas aqui abordados na imprensa e na blogsfera mocambicana. entao manos vamos la ver:
"Explicou que os casos de assassinatos de parte dos elementos da Polícia da República de Moçambique reflecte exactamente o “terrorismo” que os malfeitores têm estado a semear contra as forças da lei e ordem. Por este motivo, de acordo com o governante, a Polícia irá responder, também de forma violenta, a todos aqueles que empunham armas para o cometimento de delitos. " in noticias 29/06/07

Como podemos construir problemas assim? será que produzir solucoes interessa ao nosso governo? tenho medo que já não precisamos pensar, estudar as coisas, que inquietam nossa própria vivência e responsabilidade governativa. O que esta em causa aqui já não é a competência dos que nos governam, mas o partido politico com programa, competência e quadros para governar. Quando não mais podemos solucionar nossos próprios problemas chamamos os outros, e pior quando esses outros não tem cara. Agora resolveu-se fazer um copy and past perigoso, porque o conceito copiado põe em causa qualquer forma de pensar direito e governar com responsabilidade. esse conceito chama-se "terrorismo". ele responde e veste a mesma camisa da generalização e medializacao dos problemas mal estudados, que muitas vezes camuflam o que esta por detrás das nossas intencoes. são conceitos como estes que mal empregados só servem aos políticos e traumatizam uma sociedade. Ate agora na ordem mundial o uso deste conceito faz e fez de nos reféns de uma verdade que não existe, construída dentro de um paradigma para munir um estado de incompetentes e musculosas mentes desumanas.

O ministro Pacheco (que ate a poucos anos era um dos jovens competentes deste pais) esta a sair da estrada. e esta a entrar por uma estrada perigosa. há dois anos que o ministro ainda não produziu um estudo sobre o crime em Moçambique, a esta altura o ministro devia ter percebido que as estatísticas sobre o crime que nos são apresentadas pelo comando geral da policia não oferecem um quadro analítico para produzir politicas e estratégias de segurança publica. O desafio institucional que o ministro introduziu no seu ministério não esta a responder a dinâmicas sócio-económicas da sociedade moçambicana. o desafio institucional que devia perturbar o sono dos quadros senior do MINT não é fazer a lista das necessidades, mas sim, como produzir instrumentos que possibilitam uma visão realista do crime em moçambique:

1) identificando dinâmicas sociais especificas que possibilitam a "produção de comportamentos" anti-sociais. a policia precisa de conhecer a sociedade e os espaços onde o crime é produzido.

2) identificando comportamentos institucionais que provocam fragmentação e improviso na actuação da policia. reforçar que a actuação da policia em relação a qualquer crime facilite o desenvolvimento de sistemas internos de registo e estudo do crime, e não a cultura de passar por cima de procedimentos, leis, e "cozinhar" dados estatísticos.

3) Identificando praticas de investigação criminal que impossibilitam a simplificação no registo de crime, abertura de uma queixa, registo de denuncia, protecção da vitima.

4) Identificando factores e fenomenos culturais e sociais que determinam a demanda para os serviços da policia ( exemplos: violência domestica, racismo, conflitos étnicos, cultura de gangs, consumo abusivo de alcohol, prostituição, comportamentos de risco no verão ou inverno, porte de instrumentos contundentes, etc)

5) identificando práticas que impedem um conhecimento claro das funcoes que cada unidade policial ou instituição do MINT desempenha ( Exemplo: porque muita gente pensa que uma queixa ou denuncia só terá solução se envolver o comando da PIC e não recorrer a esquadra mais próxima. a policia de protecção civil vulgo "cinzentinhos" a exigir cartas de condução e inspeccionar aspectos técnicos de uma viatura, agente da policia comunitária como agente denunciador de criminosos e não agente mediador e facilitador na relação policia-comunidade para prevenção, denuncia e apresentação de queixa criminal, etc)

6) identificando razoes porque a estratégia de segurança publica ou intervenção da policia não é desenhado tendo em conta os constrangimentos da capacidade institucional, e não a cultura dogmática de que quanto maior for a disponibilidade de recursos e meios a policia produzira resultados imediatos, de impacto positivo na sociedade. ( para evitar reformas e intervencoes insustentáveis institucionalmente como aquelas das motorizadas, carrinhas, bicicletas, que só desacreditam a nossa policia)

7) identificando porque os constrangimentos da capacidade institucional da policia a longo e curto prazo não são incluídos no desenho da politica e estratégia de segurança publica. e porque não temos planos estratégicos e estratégia de segurança publica por província, sector por sector, especialidade.

8) identificando que aspectos e sectores da reforma institucional da MINT estão exageradamente "idealizados" ou com potenciais conflitos entre a estratégia escolhida para fazer reformas e os constrangimentos orçamentais, impostos pelo nosso orçamento geral do estado. ( para não assistirmos este teatro da fala de meios quando bem sabemos que estamos a falar de um estado organizado onde instituicoes recebem aquilo que planificam ou fazem lobbies para receber mais)

9) Identificando porque O MINT pensa que os meios circulantes são mais importantes que infra-estruturas. avaliando pela quantidade de carros e motorizadas que entraram no MINT nos últimos 15 anos não imagino quantas esquadras teriam sido reabilitadas e quantos bairros novos de moçambique teriam novas esquadras. porque investir em infra-estruturas é investimento a longo prazo ( acompanhado de um sistema de gestão e manutenção em parceira com o sector privado e comunidades locais)

10) identificando práticas inovativas de prevenção e manutenção de ordem publica. ( com a quantidade de guardas e agentes de segurança privada em varias casas e estabelecimentos comerciais , não percebo porque não há colaboração na identificação de potenciais actos criminais, activação de alertas SOS, assistência de primeiros socorros, alertas periódicas sobre comportamentos e práticas criminosas, etc)

11) identificando desafios institucionais na área jurídico-legal e cooperação interministerial. (que prioridades na reforma da justiça e leis em moçambique podem tornar a estratégia e politica de segurança publica efectiva e eficiente: o sistema prisional, o funcionamento dos tribunais, o direito criminal, os paióis e armamentos sem controle, a fragilidade das instituicoes como família, escola, controle migratório, etc)


As questões levantadas acima, são aquelas que não consigo ver elas reflectidas no discurso do nosso ministro de interior. o que esta faltar ao meu ver não é só um estudo sobre a dinâmica social que criminaliza as relacoes sociais e económicas de moçambicanos, mas a falta de capacidade das nossas instituicoes politicas em problematizar as coisas, não interessa neste momento saber que o ministro não tem meios, mas o que vai fazer com esses meios se disponíveis e como. imagino que o desafio institucional do MINT seja um bicho de sete cabeças e a sua complexidade não pode ofuscar a capacidade visionaria dos nossos governantes quando são confrontados com desafios. Esta cultura generalista de que o crime violento combate-se com uma resposta policial violenta é muito frágil porque mostra a ideia politica que temos do MINT, este ministério não é para combater criminosos como sua vocação principal mas para manter a ordem publica respeitando, a ordem jurídico-legal vigente, os deveres positivos da policia, do ministério publico, dos tribunais, respeitando e protegendo o cidadão. O ministro Pacheco tem que por os quadros do MINT e da CIPOL a produzir o crime, sob pena de assistir-mos a linchamentos a escala tsunami.

sexta-feira, junho 22, 2007

palavra d'honra a luta continua

1 - Durante duas semanas o porta-voz do Ministério da Defesa vem dizer que foram descobertos 80 engenhos explosivos, três meses após a explosão do paiol de Malhazine que vitimou mais de 100 pessoas. Segundo Mataruca o Ministério da defesa criou varias equipas para sensibilizar as populacoes e denunciar a presença de engenhos explosivos. ( fonte: http://www.rtp.pt/index.php?article=287671&visual=5).
Como diz o professor Elisio Macamo " o disco esta furado", demasiado furado. O Ministério da Defesa esta a brincar connosco, moçambicanos. Ate agora nem o chefe do estado maior, nem o chefe responsável pelo armamento vieram dizer algo sobre os aspectos técnicos ligados a explosão do paiol de Malhazine. O ministro esse resolveu sacudir o casaco, afinal não é tarefa dele guarnecer o paiol. O disco esta furado e dois menores pagaram com sua vida.
O relatório entregue ao Presidente da Republica foi falso, porque se fosse um relatório verdadeiro, o ministério da defesa teria feito um trabalho profissional e responsável para recolha dos engenhos explosivos nos bairros e assistir com perícia necessária as autoridades e as populacoes locais sobre os riscos de uma provável presença de engenhos nos bairros residenciais. Não fez.
Neste pais durante mais de 15 anos andamos a financiar e treinar sapadores. Neste pais ainda não desenvolvemos uma capacidade logística-militar para lidar com problemas nossos de defesa e segurança. O disco esta furado. é este ministério ou exercito que fiscaliza e inspecciona o processo de desminagem executado por empresas privadas? Como posso ter garantias que algum lugar deste vasto pais foi correctamente desminado? perguntar ao porta-voz Mataruca? não, eu não acredito neste porta-voz. não faz trabalho de casa e pensa que somos um bando de delinquentes e doentes mentais fugidos do hospital que o paiol rebentou. o disco esta furado.
Quando o paiol rebentou foram criadas brigadas militares, de saúde, apoio Psico-social, de logística, ministeriais, politicas, etc. Quem coordenou esta operação? como sempre vão dizer que foi o povo. então quem furou o disco? vão dizer que foi o povo. que critérios foram usados para dar por terminado o processo de recolha de engenhos explosivos? vão dizer que foi o povo.
Porque em Maputo esta a fazer frio, o engenho explodiu e matou duas crianças. o paiol explodiu porque estava muito calor. Porque o disco esta mesmo furado, eu propunha que elaborássemos um novo relatório dirigido pelo instituto nacional de meteorologia. porque as temperaturas estão a matar moçambicanos e o governo podia decretar que na previsão meteorológica obrigatoriamente anexar um boletim de quantos engenhos explosivos vão matar, com informação sobre regiões com baixa ou alta intensidade de acordo com a temperatura do dia.
2 - celebramos no dia 25 de Junho a nossa independência. Temos um presidente da Republica poeta. Este ano poderia o presidente escrever e ler o discurso a nação de uma forma ímpar. Falar de nos moçambicanos como povo de cultura, durante anos o discurso a nação foi mais sobre economia, guerra, paz, pobreza absoluta, etc. este ano merecemos uma poesia. depois do discurso do procurador da republica e outros nossos dirigentes, estou com sede de um discurso bonito, inspirador, de unidade, de amor, de romance, um discurso que possa dignificar a beleza do gurue, do monte binga, do lago niassa, da forca do Zambeze, do feitiço das quirimbas, do luar nos zincos de chamanculo, da frescura das águas de Namaacha, da musila que embeleza nossas mulheres, de tudo que uma poesia pode cantar sobre um pais. precisamos de uma nova poesia de combate e não de discursos para inglês ver. por isso senhor presidente, esta ano com todas estas desgraças de paióis, cheias, fogos, crime, terramoto, etc, merecemos uma poesia para embelezar nossa vida.
la famba bicha e pelo dia da independeia a luta continua para Mocambicanos de rovuma ao maputo.

quinta-feira, junho 21, 2007

O mundo, com duas vidas e um jovem I

I
Como jovens somos muitas vezes alertados sobre o risco do mundo exterior e não do mundo interior que corre dentro de nós. Porque a nossa socialização implica mapear o mundo a nossa volta e seus actores e não mapear o pensamento, o sentimento, a duvida, a pergunta que vive dentro de nos? Será que existe no mundo exterior realizações superiores ao mundo que gira dentro de nos? Será que o mundo exterior tem mais certezas do que o mundo interior?


II

Para responder as questões colocadas acima teríamos que analisar a importância da prioridade que o mundo exterior tem em relação ao mundo interior. E não é porque o mundo exterior seja por natureza prioritário em relação ao mundo interior na vida do adolescente e jovem. Na sociedade moçambicana de hoje, os jovens são mais falados pela sua virtude de ser jovem, de ser um grupo etário maioritário, de ser um actor económico imprescindível numa economia de consumo e competitiva, de ser um eleitor em abundância, de ser o espelho atento das transformações sócio-económicas, a cobaia da crise de certezas sociais individuais e colectivas da sociedade moçambicana e muitas outras “coisas” que o jovem é obrigado a mapear para sobreviver no mundo exterior.

III

Em suma o mundo exterior pede aos jovens uma postura de compromisso e responsabilidade. E será que o nosso mundo interior de jovens que é caracterizado por uma vontade de viver com mais intensidade os questionamentos, discernimentos, entendimentos, sonhos, não mereça a mesma prioridade para mapear o mundo?

IV

Em Moçambique a juventude sempre foi abordada como um actor social e político diferenciado, capaz de influenciar processos de transformação social, que pela sua característica estava estreitamento ligado ao engajamento politico ideológico de mapear o mundo exterior. Onde o engajamento do jovem era definido pela capacidade de participar em projectos de mudanças sociais para a construção de um homem novo (moçambicano). Era assim ate poucos anos (atrás), e hoje?

V

Hoje a construção do homem novo terá que olhar para o mundo interior do jovem, que é caracterizado por reflexões pessoais que interferem na construção de sua identidade. Onde esta identidade é resultado da relação entre seus pares e experiências individuais que resultam de um processo continuo de busca, encontros, desencontros, inseguranças, curiosidades, medos, confusões, indefinições, mudanças, crises e crescimentos, que no mundo actual tem que ter a mesma prioridade que mapear o mundo exterior. E não será esta a melhor altura para mapear o mundo interior do jovem se queremos devolver ao jovem a capacidade de ser portador de mudança e construtor do homem novo de hoje, não?

quarta-feira, junho 20, 2007

hangalakane swo sala swi tsongho hi la laku minheta

1 - ha meses que estou adiando a minha ida a Mozambique. Mas desta vez nao tenho razoes para adiar, é ja daqui ha duas semanas. Para os amigos de sempre, em Maputo vou tentar reeditar as famosas noites: o bi-mensal " Tindzava e copos" , o semanal " ameijoasjazz" e as noites de cultura do "Oasis".
2 - Como vou estar desempregado, estou a procura de ocupacao para relaxar do stress de procura de emprego, entao vou caminhar o chamanculo e explorar o chapa100.


la famba bicha

terça-feira, junho 19, 2007

e portugal profundo. ninguem calará

EU SOU LEITOR DIARIO DO blog PORTUGAL PROFUNDO"...EU SOU LEITOR DO PROFUNDO"...porque é profunda a nossa solidariedade ninguem calará a blogsfera e EU SOU DIARIO DO PORTUGAL PROFUNDO"... aqui onde o ATAQUE ÁS LIBERDADES E Á DEMOCRACIA afunda qualquer pais.

quarta-feira, junho 13, 2007

o curto-circuito. ao egidio vaz

I

Egidio! nos amamos um pais porque dele aprendemos a amar as suas maravilhas e suas surpresas. Acontece o mesmo com o curto circuito, que provavelmente provocou incendio no MINAG. Porque conhecemos o nosso amor, nao foi preciso investigar mais, a sua zanga é plena e constante. O curto circuito é parte deste amor multifacetado de patria. Por isso nao encontramos movimentacoes de pessoas estranhas no edificio, por isso trancamos as portas e deixamos os guardas sem chaves. porque o ciume impede-nos. inventamos um extintor para guardar nossas certezas de que conhecemos a zanga do nosso amor, afinal a zanga é sinonimo do amor que cega-nos . No amor, somos alertados para deixar a desconfianca de fora, por isso nao instalamos bombas de agua, porque precisamos do exercicio de balde para muscular o coracao que explode. Nao instalamos um sistema de alerta contra incendio, nao tratamos de seguro contra incendio, nao inspecionamos o sistema electrico e electronico, afinal no amor nao se pode desconfiar.

No amor a coisa mais bela é contar sobre o curto circuito da nossa paixao.se possivel conta em voz alta. Para ninguem duvidar. Todos nos invejam, porque acreditam que nosso corpo produz energia como a cahora bassa. E porque amar a patria é isso mesmo. É intenso. Com um pequeno curto circuito, alertamos os outros do fogo que corre dentro de nos, somos a auto estrada do fogo descontrolado que habita nosso estomago.

E agora ? o nosso poeta eduardo white escreveu:

Por exemplo, o fogo.
O fogo estabelece e seu trabalho,
a sua centígrada destreza para arder.
E não sei se notaste que
na digital matriz da suas febres
o fogo opõe-se,insubmisso,a morrer.
Arde como se definitivo
e quando assim sucede tende a crescer,
busca aquela leveza das altas labaredas,
a implícita tontura das fagulhas.
O fogo arde como se quisesse fugir do chão,
das suas cavernas metalúrgicas,
ascende ao impulso dos foguetões,
à infância astral, à casa solar.
O fogo entristece, por vezes.
Chora inflamável na sua fatalidade terrestre
a estranha e lenhosa prisão
que o prende e embrutece.
Quer voar,
quer a sua ancestral condição de estrela
mas na corrida espacial com que o fogo queima,
na perpétua evasão,
a gula intestina-o
a sua pressa.

uma mao

Uma mao

de mao
grande
de mar

uma mao

de mao
com mar
grande

uma mao

de medo
fugiu para longe
grande da vida

uma mao

de mao
onde o mar
nao mede a mao.


Uma mao

domingo, junho 10, 2007

...e o vento levou.Moolaade reencarnou.

existe luto. de muita morte. de muita gente. de um continente. e porque a morte é o comeco e o terminar de uma obra. seja ela excentrica, abismal, alegre, triste. sera sempre a arte que faz de nos homens gigantes, nascidos de uma baoba. africana.

Sembene Ousmane. cineasta, intelectual, sindicalista, antigo combatente, poeta, romancista. um continente por ele amado. e o cinema fica, na memoria de quem amou casamance. adeus Sembene Ousmane.

quarta-feira, junho 06, 2007

doi doi, o recibo e a bicha

mano salema

lendo teu texto ( ver no mocambiqueonline o texto do salema com titulo: como doi passar recibo) a solução contra a corrupção não é a alta autoridade para combate a corrupção ou o fórum anti-corrupção. os instrumentos de controle e transparencia no aparelho do estado estão la. se introduzir-mos a obrigatoriedade do recibo nos cartórios, hospitais, escolas,...resolveríamos em grande parte o negocio e dumba-nenguismo no aparelho do estado, que chamamos corrupção. veja quantos funcionarios no aparelho do estado no atendimento ao publico não estão identificados, quantas vezes vamos a uma repartição publica e não temos formularios ou fichas de requerimento? quantas vezes vamos a uma repartição publica para levantar um parecer/documento dizem-nos para passar daqui a uma semana, daqui a duas semanas, semanas não tem dias ou calendário ou horas?

então dizem que o cidadão é vitima da corrupção no aparelho do estado. não é verdade. o cidadão é vitima do mau funcionamento do parelho do estado. da falta de instrumentos de gestão eficiente, da falta de responsabilidade de funcionarios publico para com o acto burocrático, da falta de ética e inspecção no aparelho do estado, da falta de um aparelho de estado responsavel e eficiente. e não da corrupção. A palavra corrupção tem a mesma relação com o fenómeno da bicha ( diferente do fenomeno da bicha retratado pelo elisio macamo)

nos tempos idos, tinhamos que formar a bicha para comprar pão, arroz, açucar, fazer matricula, tudo. e quando o pão acabava, não era culpa do padeiro ou da padaria que não planificava e comprava trigo e lenha em quantidade suficiente . quando faltava arroz não era a GOAM que não planificava bem as nossas necessidades. a culpa era da bicha que era longa. a culpa era nossa que não acordávamos cedo para formar a bicha. então tudo que não conseguíamos ter era por culpa da bicha. ninguém se dava ao luxo de questionar o padeiro, o chefe da cooperativa, a GOAM.

assim também funciona com o aparelho do estado. tudo que la acontece justificamos como corrupção. prontos. tentar entender porque falta a obrigatoriedade do recibo, porque não passar o recibo, porque falta a identificação do funcionario, porque as pessoas tem que esperar tanto tempo para um requerimento, porque tudo tem que assinar o director, porque um documento tem que passar por varias instituicoes publicas, etc. não interessa, afinal é corrupção que faz o povo reclamar e justificar a sua pobreza.

não sei porque mas devagarinho vou chegando a conclusão que o laboratório da injustiça, do deixa-andar, desigualdade social, da exclusao social , da fome, do fogo nas instituicoes publicas, do dumba-nengue, da falta de responsabilizacao, esta nas instituicoes publicas. espero que esteja enganado ate prova contraria.

eu acho que passar recibo não doí, doí é pensar.



PS - aqui no forum teve um post sobre a questao de transporte e falta de chapas para kongolote e drive in. Nao escrevi na altura porque nao tinha tempo e continuo sem tempo. Mas este seria um case study para analisar o fenomeno da pobreza absoluta. Por exemplo: quanto tempo leva um chapa100 de museu a drive in e vice versa? Quanto tempo um cidadao espera na paragem por um chapa no drive in ou no museu? Um cidadao com uma bicicleta percorrendo o mesmo trajecto quanto tempo leva? Qual e a probabilidade de ocorrencia de acidente entre o chapa100 e o cidadao de bicicleta no mesmo trajecto? Um cidadao que trabalha no museu ( entra as 7:30 e sai as 15:30) quanto tempo levaria para chegar a casa (drive in), dar de comer as suas duas criancas, e as 17:30 apresentar-se a escola na uniao geral das cooperativas ? e imaginemos que nao é aluno na UGC, mas sim professor do curso nocturno na escola mista de chamanculo, as 18:30, existem ligacoes do chapa100 possiveis? Quanto tempo levaria?

Para mim com o problema de transporte em maputo, a probabilidade de alguem ter mais de um emprego é nula. A mobilidade de mao de obra que é um factor importante na criacao de emprego, o nosso sistema de transporte urbano nao permite isso. Deviamos calcular os custos desta falta de transporte e sua desorganizacao em maputo para o sector de servicos e industria. A probabilidade de um jovem de marracuene aceitar um emprego na costa do sol, é arripiante quando olhamos para o servico de transporte.

Sao alguns exemplos do fenomeno da bicha. Entao podiamos dizer que a culpa do meu atraso no servico é do chapa. A culpa do emprego existir so na costa do sol é do chapa. O chapa100 é a nossa culpa. Falar da pobreza e nao olhar para os fenomenos que “fabricam” essa pobreza é pensar com umbigo e nao cabeca.

quarta-feira, maio 30, 2007

tio patinhas e o umbigo

Estes ano parece um ano que promete. Devia dizer que prometeu: o distrito como pólo de desenvolvimento, o jovem no distrito, novos reitores nas universidades publicas, o combate a indisciplina no IMAP e internatos, encerramento da clínica privada no HCM, a crise de medicamentos, o informe do PGR, o paiol, o crime violento, os 7 biliões, a morte do cantor jeremias, as cheias no centro, as nossas florestas, o incêndio na agricultura, o policiamento comunitário, a CNE e a sociedade civil, Eleições na FMF, a presidencia aberta, o recenseamento geral da população, recenseamento eleitoral, eleições provinciais, e muitos outros eventos sociais, que deviam merecer destaque.

Com todos estes eventos manos é impossível não estar de boca aberta. Tudo corre e acontece, a nossa vida se tornou uma Lurdes mutola, e mais: somos gigantes. A nossa vida é quantificada com segundos e centímetros que podemos viver e mapear o mundo a nossa volta. O mundo de querer perceber as coisas não interessa, é perca de tempo. A nossa vida deve só registar e mapear a meta. Uma vida a Lurdes mutola. Somos uma nação campea, não interessa o campeonato ou a medalha, interessa cortar a meta, ser primeiro em tudo.

E tudo que não conseguimos mapear fica para os outros. Mas esses outros não existem, é nossa imaginacao. O tio patinhas que promovemos. O tio patinhas que reproduz-se nos quadradinhos que não podemos ler. Cada quadradinho é um tio patinhas diferente, mais rico, mais pobre, mais trabalhador, mais preguicoso, mais cientista, mais propagandista, mais ambulância, mais burro, mais mukherista, mais burocrata, mais pensionista, mais dumba nengueiro. Mas é o tio patinhas. Não precisamos questionar.

Porque hoje ser tio patinhas é nossa meta? Viver mais em quadradinhos e ser rico? Porque?

Então somos um pais de segundos e centímetros? Não somos. Não foram os segundos e os centímetros que fizeram o tio patinhas ser nossa imaginacao. Mas nossa mania de olhar só para metas. O que faz a lurdes mutola campea, não é a meta, ou o campeonato. Mas o conjunto de coisas pequenas que precisamos de aprender: técnica e estratégia para correr. São pequenas porque questionam a pergunta : como correr bem e chegar a meta. E não a nossa mania que temos. Correr só por correr, porque a nossa solução é cortar a meta, cortamos tudo. Então somos um pais de corta-matos para cortar a meta. Desenvolver uma técnica e estrategia para correr bem e cortar a meta não interessa a nos mocambicanos. Por isso a nossa meta é o tio patinhas: ser rico e viver em quadradinhos.

O tio patinhas na nossa imaginacao é perigoso. Porque a riqueza do tio patinhas não é para viver com a riqueza social, mas para satisfazer um ego individual. Um ego que enche quadradinhos e não uma pagina. Um ego que para o satisfazer temos que desregrar tudo, negar pensar. O mais importante é nadar no dinheiro em nelspruit e não investir naquilo que legitima a tua riqueza: a sociedade.

La famba bicha


PS – Este rumor ou teoria de conspiração já é muito velho em mocambique. Agora com o fogo no Ministério da agricultura voltou a merecer destaque na imprensa local: que o incêndio foi um acto de sabotagem. Como o crime violento nos bairros de maputo, justifica-se como um acto de sabotagem ao governo actual. Isto é sinonimo de pensar com umbigo e não com a cabeça. Interpretar estes fenómenos como acto de sabotagem é perigoso. Sabotagem é um termo usado em técnica de guerrilha e subversao. Isto significa que indirectamente estamos a alimentar um acto barbaro de quem sabota e quem é sabotado. E estamos a dar asas e legitimidade ao estado para usar meios violentos para combater sabotadores que não tem cara. Isto significa que crime sem cara promove o excesso de zelo das autoridades no cidadão inocente. Este pais já teve exemplos disso, e o assassinato de suspeitos no costa do sol é exemplo vivo disso. Sabotagem e legitimar o uso de forcas legais de reacção contra crime fora dos espaços legais e democráticos estabelecidos em mocambique. Mas do que sabotagem estamos perante um acto criminal que requer perícia da policia, trabalho aturado da procuradoria e dos tribunais, e por ultimo resolver de uma vez por todas este conflito entre burocrata e políticos.

quarta-feira, maio 16, 2007

a personalidade do utero 1

Mulheres bem sucedidas revelam o percurso feito para a conquista

2007/05/16

Pelo menos 18 personalidades femininas moçambicanas de sucesso em várias esferas da vida do país, vão explicar o percurso feito para chegarem aos lugares que actualmente ocupam numa conferência a realizar-se, amanhã de manha, no auditório do Instituto Camões, na cidade de Maputo. ver aqui http://www.imensis.co.mz/news/anmviewer.asp? a=8794&z=15
Ai vai a mulher na procura de adjectivos e amores para inspirar uma luta numa sociedade linchadora. elas são personalidade por que são femininas, na esfera da vida. o que faz delas mulheres de percursos? e não de caminhos? e existem lugares não feitos sem o percurso feminino? e o útero da mukherista e da dumba-nengueira não é feminino?
São personalidades de numa sociedade de consumo e individualizacao de lutas sociais (paralela ao mercado informal). Anos atras faltavam percursos para produzir personalidades femininas motoristas, mecânicas e electricistas num meio social dominado por personalidade femininas dactilografas, secretarias, enfermeiras ( ver Abreu e Salomão 1996), estávamos no radicalismo feminista ou Marxismo- socialismo feminista.
Com estes fenómenos que temos assistido hoje, a fabricacao de percursos de personalidades femininas e a fabricacao de redes de mulheres parlamentares, empresarias, ex-dirigentes, assistimos a um fenómeno social de reprodução de poder e controle numa sociedade de risco capitalista onde o útero urbaniza-se no consumo e no sucesso, a vontade feminina de hoje.

terça-feira, maio 15, 2007

amor de zinco


Falta de iluminação aumenta criminalidade

MAPUTO — O elevado índice de criminalidade que se tem verificado, nos últimos tempos, no bairro Singathela, no município da Matola, província de Maputo, está associado à falta de iluminação e ausência dos agentes da Lei e Ordem naquela zona residencial.
In Tribuna fax, 15/05/07
- Tereza sabes o que la no escuro podemos fazer.

( Manuel com seus ombros altos, era um homem solitário, tinha uma língua presa, falava no pensamento, era pescador de magumba)

- vao arrancar-me os brincos, o muhivi.

( Tereza era apressada, no bairro tinha o nome de tereza-no-deixandar, porque não andava no passo dos homens, ate a saia com sua pressa ficava para trás na boleia do vento)

- Tereza você esqueceu que eu sou empresário, com o peixe de amanha posso te comprar toda banca de brincos no xipamanine.

( Tereza encolheu, estava pequena, perdeu a forca da pressa. A saia largou o vento, era branca e comprida, com uma cruz bordada no lado que cobria o traseiro)

- eu gosto da luz, posso ver teus pés e tua ruga.

( Manuel lançou um olhar a Tereza, porque os seus olhos eram lentos como mar dormente, olhou como uma eternidade, nem a vergonha da tereza teve paixão)

- no escuro é mais tranquilo, vamos ser duas pessoas, teu escuro e meu escuro.

( a voz desfaleceu, Manuel nunca amou ninguém, para ele o amor era uma magumba, existe para ser petiscado)

- e sem luz como vais saber que sou eu Tereza.

( Tereza era filha do pastor João, o mazione do bairro e chefe da policia comunitária, afinal policia também tem que ter poder de maluquecer um malfeitor, assim prometeu pastor João na sua nomeação)

- eu de olhos fechados consigo ver-te, apalpar-te a cruz que tens no traseiro.

( Manuel fechou seus olhos, suas mãos como ondas do mar roçaram Tereza que entretanto distanciou-se de Manuel, como um camelo que começa uma viagem)


excertos para a peca amor de zinco

quarta-feira, maio 09, 2007

...5.era outro mar

Aqui
Pode-se
Viver
A lembrar o tempo
A demora do silêncio
O entardecer
Do riso

E vive-se
Na distância
Longe de tudo
Que pode-se
Habitar

O mar

É aqui
Onde o tempo
Não tem
Lembranças
Conta-se o dia
Na ruga desfalecida

Na morte que nasce
Ao tempo
Da lembrança
Do mar.

...4.era outro mar

Palavras
Existem
Distraídas
Atentas

Palavras
Ávidas
Palavras grávidas
Despedidas
Existem

Palavras
De lavras
De homens

Palavras
Mulheres
Existem

No mar
De palavras
Grávidas


Mulheres existem.

sexta-feira, maio 04, 2007

ao meu companheiro Jeremias Ngwenha

hoje o dia sera tao longo. e nesta distancia, nao ha outro mundo, sem morte. mas a morte é tao apressada como foi a nossa ultima conversa. para ti a minha viagem nao era para o estrangeiro, mas para um mundo que iria questionar minhas verdades sobre a justica social. jeremias, depressa como as coisas que negavamos, como a seriedade que exigias de muitos na luta conta a injustica, a morte veio. lembras-te do sonho de transformar a loja, que dantes era cooperativa no centro cultural? lembras-te que dizias que os jovens roubam porque nao tem o que fazer, nao tem espacos culturais, nao tem campos de futebol, nao tem escolas?
a morte tem segredos. que so a morte sabe. e agora descobri um grande segredo Jeremias, queria em Julho contar-te, a gente viaja para conhecer a verdade do mundo e nao é verdade. a gente viaja para conhecer e questionar a verdade de nos proprios, o mundo viaja dentro de nos. assim descobri o teu segredo, cantavas e lutavas para dar a conhecer a viajem do mundo que vai dentro de ti.
e quando falaste da universidade, e eu falei-te de paulo freire. e percebi a tua luta.
la famba bicha Jeremias e paz a tua alma.

terça-feira, maio 01, 2007

a fala sem consequencia e a responsabilizacao

A interpelacao realizada pelo professor Elisio Macamo ( no seu blog ideias criticas) sobre a fala sem consequencias em relacao a gestao politica ou executiva da coisa publica é um bom comeco. Segundo o professor a fala sem consequencia e resultado da falta de responsabilizacao dos actos governativos. Assim diriamos que a responsabilizacao ela so é relevante quando existe uma clareza das instituicoes e das suas regras. falta de responsabilizacao é resultado da percepcao que temos da escolha efectuada pela autoridade política: A responsabilidade sem sancao.
Fazendo uso da teoria do reflexo de I.Pavlov segundo a qual os estimulos incondicionados provocam respostas incondicionadas. Os estimulos respondem a um determinado ambiente, que neste caso é a nossa esfera publica. Para muitos autores a responsabilizacao é resultado da complexidade de actos e funcoes que regem a administracao publica: prestar conta dos actos e accoes, cumprir prazos e procedimentos, imparcialidade e a legitimidade do funcionamento da funcao publica. Mas mais do que responder a esta complexidade da gestao publica a responsabilizacao significa que a autoridade administrativa deve prestar contas ao cidadao. E num pais onde o respeito pelos preceitos legais, o controlo das contas e a gestão eficiente dos actos e das medidas administrativas, essenciais a uma administração racional e transparente, sao interpretadas por alguns como um acto que visa negligenciar a legitimidade das políticas e da utilização dos recursos colectivos. Com a maturidade politica da sociedade, quando a cultura democratica prevalecer e os partidos politicos, em governacao, serem avaliados pela capacidade que tem na gestao do bem publico, ai assistiremos uma nova viragem na esfera publica mocambicana.
A falta de responsabilizacao legitima a practica corrente, do casamento entre o privado, politico e publico. Que é resultado da falta de eficácia no controlo, na fiscalização e na observância das normas. ( seria interessante um debate sobre a etica politica). E num pais como nosso que esta num processo de producao de certezas, numa sociedade em transformacao, a falta de responsabilidade e a fala sem consequencia tera um preco alto. Para mim esta fala sem consequencias que tambem assaltou o aparelho buracratico e gestores publicos, é a forma mais inteligente para promover a incompetencia, impunidade e mukherismus dentro de instituicoes publicas. O muhkerismu na funcao publica foi classificado de grande corrupcao e pequena corrupcao. Mas do que ser grande ou pequena, ela é exemplo do corporativismo empresarial que nasceu nas instituicoes publicas. Quando dentro de instituicoes publicas funciona uma cultura empresarial, bem organizada ( tem endereco fisico, representado por uma pessoa de direito, responde a teorias economicas de oferta/procura, dedica-se a venda de produto especializado: bens e servicos, tem uma rede a escala nacional, as despesas de transacao e capital de risco sao pagas pelo estado). Entao a luta que esta sendo feita contra o informal e resultado da ambicao corporativa do mukherismu, que em economias formais podiamos chamar de fusao.
Um exemplo interessante: o livro escolar gratuito, medicamentos e as chamadas “roupas de calamidades”, sao “roubadas-desviadas” dentro de instituicoes publicas, a custo zero (porque falta responsabilizacao), onde sao entregues aos dumba-nengueiros que custeam todas os inerentes a venda: transporte, suborno a policia municipal, taxa de mercado, armazenamento, salario de seus colaboradores, faz o calculo contabilistico e respectivo deposito bancario, etc. Enquanto isso o verdadeiro dono, esse ja sentado num departamento de uma instituicao publica, telefona ao dumba nengueiro para “saber da situacao do mercado”, atrasa a tramitacao do expediente da mercadoria que legalmente deve ir ao mercado. Entao os aliados do estado sao aqueles que dele beneficiam.
O dumba nengueiro e um produto desta falta de responsabilizacao, é o social mais activo das fraquezas do estado, a integracao do funcionario e gestor publico na economia de mercado. Mas para muitos este fenomeno, mukherismus e dumba-nenguismo, e resultado da expansao de incertezas que muitos mocambicanos enfrentam nesta sociedade em transformacao. O dumba-nengueiro na sociedade mocambicana é o gestor da sociedade de risco. O dumba nengue mais do que uma actividade marginal, ela responde a 3 factores:1) reproduzir o “capital de certezas” de funcionarios publicos e seus gestores da funcao publica 2) reproduzir o capital social, reforcando as relacoes informais, que reduzem despesas de transacao, facilitam uma circulacao rapida de informacao, por causa da relacao de parentesco muitos trabalham de borla e 3) funciona na base de confianca e nao de hierarquia, ( todos no informal somos patrao).
O fim da ilusao
Professor a fala sem consequencia e a falta de responsabilizacao é um tema que devia ser muito bem explorado pelos estudantes de sociologia e economia. E o exemplo acima apresentado, hoje mais do que nunca, revela que a falta de certezas de uma sociedade, pode ter muito haver com a falta de responsabilidade e a fala sem consequencia, e nao um acto inconsequente da esfera publica. Ela devia ser o resultado da individualizacao das relacoes laborais, da urbanizacao dos conflitos sociais , da ruptura entre o tradicional e o moderno na zona rural e nao do deixa-andar que atingiu a esfera politica e gestao publica. O fim da ilusao do poder e do estado é o comeco da responsabilizacao. A sua visibilidade é hoje maior devido, sobretudo, ao momento politico que estamos a viver hoje em mocambique com a eleicao do presidente guebuza, com o aumento de expectativas dos cidadãos e, a clara tendencia de que temos que trazer a confianca da sociedade para com as intitucoes publicas.

poeta de mabuzina

existem espacos, sem acento, virgula, espacos da lingua, mal falada como o amor de todos os dias. assim foi e sera por longos anos, porque onde corre a palavra, escreve uma mao solidaria, estrangeira e negra de si propria. o chapa100 e isso. essa corrida que vuna e gunga, que arranha e se fez gigante nesta corrida pela paragem, pelo cobrador que rouba-nos o silencio do bolso, do motorista poeta de mabuzina. la famba bicha, wena pa mozambique.

quinta-feira, abril 26, 2007

..3. era outro mar

Sobre uma mesa redonda. Uma terra gira. E os homens correm.

- hoje o dia devia parar
- e a noite devia ser longa
- nao! a noite devia ser comprida, assim como a linha que coze teu botao
- Sim, mas a linha que coze é curta. Entao a noite devia ser redonda como o botao
- entao eu quero ser uma blusa, cheia de botoes, assim como a blusa de uma princesa cigana.
- eu quero ser a camisa do palhaco, tem botoes quadrados, um em cima do outro

E a vida podia girar com outro ritmo. Assim como um chapa numa manha de domingo

- sentas sozinho
- nunca sentamos sozinho
- so falei para fabricar uma conversa
- nao sabes que no chapa a gente so fala com a janela
- na janela faz muito frio
- nao é a janela que faz frio é o medo da viagem, o corpo que ganha velocidade
- o chapa nunca viaja, salta de paragem em paragem, uma viagem tem que ter paisagem
- e tudo que fica para tras quando o chapa vuna, é o que? Um sapo que saltita meus olhos?
- é kuxa kanema, a nossa vida como povo, um documentario de sapos
- entao sou um sapo, que precisa de uma janela para visitar o mundo


Choveu para madrugar o dia hoje. Mas madrugou a desgraca. O tempo parou. E o mosquito dormiu.

- a chuva nao presta, juro.
- é romantico. Podemos molhar e lavar o corpo
- lavar o corpo? O caminho para chamanculo é matope.
- entao hoje vais ser minha arte, vou te fazer panela de barro
- e eu vou sujar-te, pintar tua alma de raiva
- porque?
- a chuva nao é para mukheristas, é para campones
- e nao tens saudades da terra?
- fugi da saudade, a unica saudade esta no sol para secar minha alma, doidar meu juizo
- o sol nao sai de casa porque alguem quer governar um juizo
- entao ele sai para que?
- para eu ver tua anca, encontrar-te na luz, entendes?
- nao, ainda nao entendeste que nao tenho juizo, falta sol.

quarta-feira, abril 18, 2007

...2. era outro mar

Na lua

Crua

Que merece

O dia

Que adia

E nasce

Hoje o novo

De novo

Renasce

Sereno de gesto

Como mais um destino

Endiabrado

Na lua

Que nasce


Bravo o mar

sábado, abril 14, 2007

de-mar

Mar

De um corpo

De dois corpos

De um seio

De outra pele

N'outros olhos

De um oceano

De cada beijo

Um corpo de mar

Em momento de suor.

quarta-feira, março 28, 2007

poema 358


Uma varanda. Pequena. Com 2 vasos de jasmin. Nada mais. O idoso era meu amigo. Sentavamos, no por do sol, para passearmos a mente e a disputa dos livros que lemos durante o dia. Nem todos os dias o velho queria falar. Nao era necessario. Murmurava na jarra que regava as flores. Como a varanda era um espaco pequeno, eramos amigos encostados e carentes de qualquer dialogo.

Hoje faz 5 anos. O velho deixou de falar. A ultima palavra foi para pedir que leve o vaso de jasmin comigo. Neguei. Nao tinha tempo para tamanho sacrificio de cuidar de plantas e rega-las 3 vezes por dia. Nao contestou, eramos amigos. Aprendemos ao longo dos anos a dizer nao, era a nossa maneira de contrariar o mundo passivo que rodeiava nossa vida. E o velho assim devagarinho abracou-me, fiquei estatico e confuso. Afinal estes anos todos nunca nos abracamos. Podiamos rir e tocar o ombro do outro para chamar atencao sobre o poema que nao sabiamos declamar. O abraco foi forte, como um arrame que enrola um presente perdido. Perguntei porque do abraco. Encolheu os ombros e riu-se, o velho nao ria muito. Durante anos resolvi procurar na ruga e na barba escura algum sorriso. Tarefa dificil, nao havia dentes para contar, havia uma pequena ruga que atravessava o labio inferior. Quando a leitura era boa, a ruga desaparecia do labio. O unico sinal sorridente que aprendi a apreciar.

Cincos anos passaram tao rapido, mas hoje o dia esta lento. O vellho nao mais pode andar. A cegueira veio tao rapida como o sol que deita rapido. Estes dia leio sozinho, contemplo solitario o por do sol. Ao meu lado o velho estica-se, mexe a barba e a cinza que cai do cigarro russo que fumamos. A unica coisa que partilhamos da nossa ultima viajem a russia, perseguiamos a biografia do Neruda e Tolstoi. Na russia aprendemos que temos que fumar forte para ler.muitos anos passaram e a biografia acabou esquecida, a viajem faziamos todos os dias na enciclopedia russa e na revista Pravda. Para alem do sol, da lua, e passaros, no quinto andar somos os ultimos vizinhos, num edificio para pensionistas do exercito.

O velho de nome Armando foi um combatente, de uma companhia de artilharia. Nunca atirou, era comissario politico. Aprendeu a escrever a maquina e a ler sobre a revolucao no exercito. Segredeu-me que escreveu muito sobre a poesia de combate, era a unica poesia que nao passava pela censura. Nunca publicou. Nao havia tempo. A guerra e educacao politica do militar era importante. Segredou-me zangado. Hoje recebeu a carta do hospital militar, so pode receber tratamento se for internado. Nunca disse o velho. E escrevi nunca na carta respondendo ao medico. para Armando a morte no hospital nao tem sentido. com a velhice nao se luta, escreveu no poema 358.

sábado, março 24, 2007

no meu pais o paiol namora o calor, e no amor saiem faiscas

a morte. é uma perda. a vida que nos deixa. nao segreda. é menos vaidosa que a vida que nasce. na morte, somos pequenos homens esquecidos pela vida. alguem decidiu que devia ser assim. e inventou o luto. o preto. o caixao. a lagrima. para de nos cobrar o que nao somos capazes de entender na morte. uma paiolada de corpos.
a vida anuncia-se. uma pronuncia da barriga que engravida. do nome que nos dao. do sexo que deus escolhe.
a morte aparece. no estilhaco que nao avisa. na corrida que rouba o destino. na crianca perdida. no panico que nao tem coordenadas. o sul ou norte na morte nao interessa. interessa que a morte nao escolhemos. escolhem os outros. um deus humano. deus que tem patencia, salario, passaporte diplomatico, guarda-costas, e nome.
no meu pais a morte ginga. anda impune. inventa circus. e nao é palhaco.

sexta-feira, março 09, 2007

e tu borboleta, betinha.

eu estou assim enjoado. de uma gravida. de pensar. e saudades. essas coisas engravidam. brincas? os filhos tardam chegar, estao no prolongamento da gravida. tem essa mania de mostrar umbigo a toda gente. manias que deves ter percebido, na tua gravidez. nao é?
poeta. esse nem fala. a gravida tem ciumes. nao deixa falar. escrever. pode cocar-se. uma inocencia de uma vida dupla. a lingua e o prazer. vou preferir uma encubadora.
falando a verdade nao é medo de brincar papa e mama. a idade pesa. nao so a gravidez. um peso desqualificavel e pretencioso. assim como a brincadeira que me propoes. imagina que vou te ngungular. ja imaginaste? cara-a-cara? melhor nao falar. depois vao dizer que na poesia nao se faz asneira. suca voces.
hoje estou velho. por causa da capulana que amarrei. uma barriga tem vicios. uma capulana para embelezar a barriga que desfeia. que fazer? melhor gingar na inocencia. fingir e amarrar rugas. nao basta esfregar musila na cara, tambem temos que esfregar na barriga. ela se tornou nosso cartao de visita. nao foi assim contigo?
entao a velhice é nosso destino, como a minha barriga. nao questiona, nao nasce. vive assim quieta, mastigando minha juventude que nao mais posso aproveitar. com essas coisas nao vale-pena lutar. contra tua propria barriga? teu cartao de visitas? nao.

existe o poeta. no seu silencio. vai te acarinhar. escutar os pontapes do africaninho. fingir que ama na tua desfeia barriga. alguns dias vai-te escrever versos, para te inspirar que teus seios nao mais vao envelhecer. escrever-te que o leite que gota, é mel, prazer que nunca esgota. afinal o poeta nada mais sabe do que escrever aquilo que no sexo nao se explica. nao foi assim contigo?
é esse amor pelas coisas. na barriga que é redonda e empurra. assim como o sol que nos faz acordar, sem avisar. o galo canta alto como o pontape que o africaninho experimenta na parede da minha barriga. se ele soubesse da parede que nao é. imagino que xutava para dormir seu pe toda vida. afinal doutro lado da parede, nao ha umbigo que alimenta. o poeta? esse é tao txonado como a poesia. escreve bonito e le bonito, mas faz pouco para viver ate outro dia. o poeta é como uma borboleta. vive um dia. colorido, gingao, marrabenteiro, mas nao a vida para outro sol.
e tu? minha borboleta.

terça-feira, março 06, 2007

retractos do sonho

Ia Basta – retractos do sonho!

A nhamundwa mathe


O que se pode pintar no rosto de um homem? A vida.
Quando não mais podemos chorar, falar, sorrir, resta-nos o que no homem sempre habitou, a arte, o pedaço que não foge ao olhar e ao silêncio.

A pintura empresta ao homem a palavra muda mas certa para dizer Já Basta., porque “a arte é eternamente livre” escreveu kandinsky.
Já Basta! mostra que a pintura deve ser livre, servir os homens. Retractar a exuberância da alegria, da miséria. da tristeza , da beleza, dos números, do sonho.
Mas é no sonho que reside esta pintura. No sonho do rosto que deve-se retractar, emprestar-se às fantasias do real, e medir na tela a liberdade do mundo.
A cada traço percorre-se o limite do interior , a sensoriedade do dialogo entre o sonho e o real. E ai reside o homem do rosto, que lhe faltam olhos para contemplar-se a si próprio.
Muitas vezes negamos a liberdade da pintura, talvez porque ela se retracta com retratos, e não com rostos. Nhamundwa, perscruta a vontade da liberdade, que ‘e mais que um retracto, onde o sonho se exorciza e Nhamundwa excede-lhe o sentido.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

...1

Faltam dois dias. um mundo parece pequeno, o mapa encolheu. Sobraram ombros e algumas lagrimas. Porque chorar? disse Lewane. A vida em dois dias mudou a direcao da ruga. Estamos mais velhos. A idade pesa? disse Machaia. Porque ter idade se em dois dias vamos pesar uma idade que nao temos? Lewane comenta para nao chorar. Uma mulher nao pode chorar por coisinhas na vida, quem chora no parto nao chora mais. Nascer uma vida, pode magoar o mundo, chorar como cheia, tive 6 filhos. Lewane grita.
Lembro que a nossa aldeia foi esquecida ha muitos anos. A cheias levou nossa vida. Mas como sempre ficaram alguns trapos. Nos e algum gado. trapos? indagava Machaia. Trapinhos, acho eu, somos muito fracos para fazer uma manta, Lewane abracou Machaze, unico bebe que o jacare deixou nadar. Machaze e nossa verdade, os espiritos deixam esperanca, disse Lewane. Mas como esparanca Lewane? a nossa vida passou rapido neste mundo que encolheu, nossa vida esta mais leve que a folha arrancada pela corrente da agua. Temos so dois dias. A agua vai derrubar o tecto.
Os espiritos nao fizeram nada, quando o tecto cair, vamos morrer todos. Machaia nao hesitava um comentario com frio que assobiava nossas vozes. Eramos fantasmas para gritar. gritar? nos as mulheres ja gritamos ha muito tempo, quando te dei 6 filhos que o rio levou. Nasci para alimentar estes crocodilos e a ti Machaia. estas palavras ouvi toda minha vida, as mulheres nunca esquecem. para que esquecer? solucova Lewane.
(in Lua das cheias)

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

re-mao

Uma mao

de mao
grande
de mar

uma mao

de mao
com mar
grande

uma mao

de medo
fugiu para longe
grande da vida

uma mao

de mao
onde o mar
nao mede a mao.


Uma mao

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

chimuenges

A mente
do demente

era dos tenentes
senhores de guerra

a mente
de guerra

era sirene
rara na machamba do tenente

era tomate
numa mina

a mente
de guerra

dos tenentes
que escrevem memoria

da mente do demente

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

com oxigenio para SU.

acredito no farol. acredito tambem na lampada. o farol e grande, ilumina o mundo. a lampada, ilumina o passo, o canto que espreito, pequenas coisas que busco. o farol e sereno, silencioso, o fim do mar. a lampada e o comeco de tudo, barulhento. o farol e o olho da terra, o fim do perdido. a lampada e o braco que procura algo, a procura do perdido. o farol e para o navegante.a lampada para o escondido. todos somos guiados pela luz. no silencio e no medo das coisas.

sábado, fevereiro 03, 2007

falar-da-gravida

Cena I

Escrever pode ser uma dor. Pequena. Do nosso tamanho. A dor que tem ruído, faz tudo que lhe apetece.
As vezes tenho a sensação que poderia viajar com ela. com a dor.

Cena II

Por muito tempo acreditei que podia descrever a dor. Torna-la comum, igual as crónicas de viagem, falar de pequenos momentos.


Cena III

Penso. Contigo. Na dor.
Na melhor maneira de escrever-te
Enviar uma mensagem
Da noite que é neste mar

Cena IV

Vou escrever como pediste. Sabes que custa escrever? Imagina. O parto. Sou da gravidez de 12 meses, de ventre ambulante . Todas as mulheres foram minhas mães, uma por hora, outras por dias, aquelas que queriam mais tempo não pude dá-las, afinal queria ser justo com o ventre delas.

Cena V

A porta. na Dor.
Enorme e barulhenta
Amistosa e distraída
A Porta
Torta
E Talhada
A ferro ou a madeira
Tem a maldade
Da porta. da dor.

Dor do mar



Cena VI

Aquelas que toda noite fui sonho delas, queriam que o parto fosse com elas, por vezes encontrei barrigas quentes, dóceis e bonitas. Eram barrigas de cegonhas para a minha mãe.


Cena VII

Umas eram estúpidas
Davam-me nomes esquisitos
Falaram da tristeza, a que
Me espera
Fora do ventre

Cena VIII

Aprendi
Que a barriga tem a beleza do mar
Serve para tudo
Da vergonha ao orgulho

Cena IX

Contam que na noite o mar não dorme. Nunca se perguntou a razão à noite.
O mar não aceitou o meu convite ao sono. Agora dou-lhe razão, o sono deixou de ser milagroso: ao se acordar os corpos continuam famintos e a religião domina a esperança, as lágrimas continuam a salgar o mar.

praga sem mar

a Lilia Momple

Imagina.


Que hoje o dia tem direito
a queixar-se.

Falar
como homem
aos homens.

Dizer
o que lhe vai
no seu dia prolongado
na mentira da noite.

Imagina.

Que tu serias
o confessionario.

Onde
o dia
de cócoras
contaria a verdade
para que sexo
o dia pende.

Para o mar?

Imagina.

terça-feira, janeiro 30, 2007

palhota e um coracao urbano





Existe

                    uma terra

maligna      mulher      pessoa

feminina



de barriga

grande

uma terra

gravida       sexualizada

com preguica           de rapaz



existe

muita terra

de muitas  ventres       palavras

sem vozes            sem lingua



existe

uma terra

de contenente        de paises

sem gente



Existe

uma terra

com seios     caidos      excitados

gostosos


   
uma terra      de apetite

de fome

de cores

uma terra          de homens.



 

a tonalidade da vida - chicuembos

a paulina chiziane e almeida culo,
09.07.03,

16:49



Se eu tivesse que escrever a uma mulher, para dize-la que o meu amor por ela vive. O que escreveria? que pudesse descrever com palavras a dimensao do sentimento. O que? Escreveria sobre a cor do meu coracao, seria um pre-texto do que vive e cria alquimia no coracao de um mufana. Mas do que vale a cor sem o brilho, a tonalidade da vida? E quantas cores podem pintar um coracao? Eu queria ter um coracao azul, da cor de mar, do ceu. Um coracao profundo, navegavel, intenso como a vida marinha, sonhador como buzios. E tu que marinho serias? Um peixe ou uma alga? Eu queria que tu fosses o sal, se nao o sonho que acompanha os buzios. A minha dor compara-se ao mar sem sal, o ceu sem estrelas, ou estrelas sem sonho – porque o sonho comanda a vida. Outra pedra filosofal? de um homem.



Nao sou um mar qualquer. Sou um mar que te conhece. Navegavel por ti. Um mar de todos os mares, um mar de uma mulher so. Um mares...



17:40


 

segunda-feira, janeiro 29, 2007

a fala do lixo no mocambiqueonline.

manos

juro palavra "d'honra" que esta gente nem esta ai meu irmao. nem com o dinheiro dos terrenos do triunfo, nao conseguiram plantar acacias, os terrenos ja acabaram agora precisa-se buscar solucoes para alimentar muita gente e sistema que nao funciona.

nao se domina um gato agarrando a cauda, mas sim pela cabeca e cortando unhas.

acredito em solucoes locais e sustentaveis, sao discutiveis. porque conheco-as, foram minha realidade e sao ainda hoje uma coisa inovadora.

anos oitenta e noventa, vi muita gente no suburbio de tchova xita duma recolhendo garrafas, objectos de vidro, pedacos de madeira,papel, lixo socialmente reciclavel, que depois vendia-se a outros revendedores que depois revendiam a vidreira, a laurentina, implama, construtoras, carpentarias, e outros recicladores e aproveitadores do "lixo". esses homens de tchova xita duma, sabiam bem separar o reciclavel, "deitar fora" no lugar proprio o nao reciclavel, aproveitar o socialmente aproveitavel. e conheco mocambicanos que ficaram "empresarios" do lixo na altura e acabaram comprando bancas no xipamanine e reconstruir ali no suburbio as suas casas. ali na avenida do zixaxa, perto ca casa fabiao e anuaril, havia ali uma casa de um mocambicano de origem indiana que reconstruiu a sua madeirazinco e educou seus filhos, a sua famila teve uma barbearia com investimento do "lixo".e muitos outros tchovas que apartir de xipamanine, bazuca, espada, vulcano, "invadiam" os bairros de maputo procurando "lixo". eu conheci-os porque matabichavam com as minhas chamussas e matoritori. esta experiencia, num pais onde nao e problema ter um "tchova", ter uma mao de obra aos milhoes, gente que conhece o suburbio, gente que sabe penetrar nos caminhos sinuosos e intransitaveis por meios circulantes "normais" do nosso municipio, gente que organizado em cooperativas, com um pequeno curso de como tratar o lixo, com uma "pequena engenharia" no tchova, que nos mesmos produzimos com nossa tecnologia made in mocambique, para poder criar diferentes compartimentos para separar e transportar o lixo, juro que isso funciona. o municipio podia fixar um contracto de pagamento, o criterio podia ser por zona (para evitar lutas e aproveitores do "deixa destruir" e podia se usar o criterio de zonas aplicado a chapas100's), pelo volume, pelo tipo de lixo, criterios minimos higiene, etc. e para a outra fase que e de incineracao, de transporte e deposito na lixeira, de reciclagem, podiam entrar os mais especializados, tambem ai nao vejo problema que nao exista pequenos empresarios "mukheristas" nossos que nao gostariam de fazer um negocio legal do lixo (bastava tambem ajuda-los aumentando o know-how deles no transporte, uso e tratamento do lixo). e no bairro manos todos nos sabemos que quanto o matine diz " ma dalicenca, ma contentor haleno" toda gente sabe que matine vem recolher livro, empresario do tchova, fazendo a mola dele e limpando a cidade.

outra experiencia temos de uma empresa ( acho que fapacar), nao me lembro do nome, mas andava la para zonas do bairro vinte e cinco de junho ou coisas do benfica, fez uma campanha para os maputenses reciclarem o papel, nas esquinas de maputo havia um contentor, ate "mendigos" estavam envolvidos, papel no chao valia "mola" , a cidade andou limpa. a empresa nao sei onde anda, ninguem olhou nestas iniciativas locais. atraves da sua experienca de recolha e reciclagem do papel podia expandir a sua area para outro "lixo reciclavel". e papel reciclado e economico e sustentavel: temos graficas, escolas que nem tem cartolina e papel caqui para escrever e desenhar, os nossos "artistas" da escola de artes visuas e nucleo de arte para suas esculturas e etc. (basta pedir ao fiel dos santos para juntar a malta dele para uma demonstracao de como se reciclam os jornais para a arte, ou os jovens emprendedores da mozarte para demonstrarem como se aproveita papel para decoracao, agendas, candeiros, etc)

hoje pagamos taxas de lixo, pagamos consultorias, hoje vao entrar ate empresas portuguesas para fazer aquilo que o "tchova" faz barato e nao faz bem porque ninguem lhe quer ensinar.

nao e verdade o que alguns aqui no forum dizem, que e coisas de mocambicanos fazer lixeira e sujeira em tudo, no bairro as pessoas enterram o lixo ou fazem fogo. nos mocambicanos nao gostamos de lixo, so que ninguem com autoridade e inteligencia quer olhar para estas coisas. precisamos de ambintalistas,arquitectos, engenheiros civis, economistas, engenheiros de saneamento, urbanistas, especialistas de saude publica? sim e muito, mas se nao pensamos localmente e contando com as nossas proprias tecnologias, vamos ser um pais de ignorantes que exportamos madeira porque pensamos com falsidade da ganancia que o nossa escola nao precisa de bancos, o hospital nao precisa de camas, que a nossa casa so se constroi com cimento de investidores estrangeiros, que para por uma torneira de agua no suburbio precisamos de construtores e engenheiros chineses, e mais outras "engenharias do inteligente" que so envergonham.

para mim acho que nao custa tentar. vai falhar? pode ate falhar, mas falhamos orgulhosamento mocambicanos. nisso ate deus desculpa.

outro amigo vai dizer que hoje precisamos de estar "globalizados tecnologicamente" ou precisamos de solucoes com dimensao de maputo e "especialidades" importadas, nao estou contra essa ideia, ate pode ajudar.o problema da globalizacao esta nesta maneira globalizante de deixarmos os outros "gananciosos" imporem as nossas necessidades e que so sao satisfeitas com solucoes vindas deles. Fazem nos ter fome para darem-nos de comer e controlar nossas mentes, fazem-nos pensar que eles sabem melhor que nos, do que precisamos, atrofiam a nossa mente e olhar, acreditamos mais neles do que na nossa capacidade de solucionar sem eles, fazem-nos ter medo de pensar segundo o nosso umbigo. porque para eles a nossa barriga e de vidro.

entao manos, o municpio tem que explicar bem "essa cena" de aumentar taxas e explicar segundo a necessidade do nosso umbigo. por favor senhores vereadores.


la famba bicha

jorgematine

 

domingo, janeiro 28, 2007

Haja chateacao e ponto final

Uma chateacao. Porque durante 5 anos nao tive a necessidade de trabalhar em lingua portuguesa, fiquei ultrapassado e arranhado. E porque o velho ditado nao falha, melhor dominar a lingua que compra pao, o checo tomou conta. Veio o trabalho ucraniano e polaco. Outra vez estava eu empurrado para uma realidade de uma outra lingua. O portugues? So no noticiario. Veio o trabalho ruandes e costa-marfines. Outra corrida para o frances. A lingua atrapalha-se. Hoje sou um destruto-poliglota, nada fala, nada escreve. Pior, compras software e uma quantidade de instrumentos informaticos para facilitar o uso da lingua e ficas mais ultrapassado: o teclado corre e escreve o que lhe vai na cabeca, sem comando teu. pisas a tecla b: bon soir, bom, browser, bomboni, bourat, bozi, esta la o software falando non-sense.
Uma chateacao. Sonhas em ronga. Pensas em portugues, escreves em frances, apresentas em ingles e explicas em checo. Estas tramado. Nao ha mente que aguente. Sera que vale a pena dominar a lingua que te da pao e nao a lingua que faz amor? O problema nao e arranhar o portugues, mas sim arranhar a identidade e o nome das coisas. Haja chateacao e ponto final.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

pivo.rum.zensky.nic.nepises.

Cena I



O tempo. Hoje faz frio. Uma bengala atirada no meio da Estrada. Imagino que representa uma morte. Um velho atropelado. Uma morte corrida. Sem adeus. Faz frio.

Um vento ameno. Rua silenciosa. Um cao que ladra. E uma bengala. De Madeira. De pau preto. Assim comeca um dia de fevereiro, quando todas as manhas tenho que percorrer as ruas de Ostrava. Sou o prisioneiro da pressa, do carro electrico, que nunca atrasa. Aqui atrasam os homens e nao o relogio. A nossa paciencia esta como uma ventrina que vai pelos electricos e a raiva de que perdemos a corrida, o relogio da electricidade.

A bengala. Nao se move. É de madeira. velha. Pau preto. De homem branco. Imagino.Toda gente corre e a bengala fica. Na morte de quem a deixou. Aqui os homens nao gostam da vida de outros. Sao civilizados. Dizem. Porque saber da vida dos outros se temos a televisao do big brother. Murmuram. E os meus ombros desesperados caiem. Desfarcados na bengála de pau preto.

- Tens horas

Pergunta a senhora.

- Hum

(Respiro. O vento passa. A saia espreita. Tem pernas.Tem rugas. Esta cansada).

- Nao sei. Deve ser um quarto para as oito.

( Sou miope. o pulso para o peito. Um gesto mecanico, o osso da mao estica, um estalo, doi)

- Este velho deve ter morrido?

( Murmurio. A voz é tremula.) Caramba do frio.

A senhora olha. O silencio cruza com o carro que passa. Assim ficamos. Com o silencio. mais uma vez o vento levanta a saia.

- Morreu?

( Olha para o ceu. Fungando) As nuvens sao sempre as mesmas . Vao sempre para o norte. Nao ha mar.( nao ha maresia) Nao ha andorinhas para anunciar a chuva. O ceu é sempre cinzento. o azul so existe nos olhos da senhora.

- A bengala esta viva.

As maos vao para o bolso. As chaves beliscam. O tempo passa com a cumplicidade das nuvens que vao para norte. ( a senhora olha, procura a bengala, arranja a saia. É transparente. Posso ver a perna gorda. O joelho cansado. Deve doer tratar uma perna assim. Deve ser uma perna de muita viagem. Tem rugas profundas, parecem escritas a lapis, interminaveis entre o joelho e a anca)

- Se andam a procura dele nao deve ter morrido.

Olha-me, busca cumplicidade. A saia irrita a mao que segura. Contorna o vento. Finjo que acompanho as nuvens. ( a bengala deve ser de um conhecido). A cumplicidade da morte tem dessas coisas. Queria ser o vento que levanta a saia (Penso).

- Mas ele nao pode andar sem bengala. Nao chega a lado nenhum.

Murmurio. O vento sopra, assobia baixinho. O electrico pára. Falta um gesto para abrir-se a porta. ( como posso abandonar a bengala?).



Cena II



O ceu esta cinzento. Chove de quando em vez, quando a vez chega ate chove demais. Mas essa vez foi so uma vez. E tivemos cheias, todo o pais parecia uma praia sem ondas, muita agua, nao salgada. Tambem dessa vez a chuva trouxe luto. Para tudo. Os passaros estavam de preto.

Hoje o ceu esta mais perto do tecto. Pela primeira vez o ceu tem limite.



- Mas ele parece saudavel.

( Resolveu beliscar-me. Tem unhas pintadas. Um pouco afiadas. Vermelhas)

- Pode andar?

( tossir um pouco para domesticar a dor. Beliscou-me. Mulher ousada)

- Eles andam toda a cidade.

Como pode ela estar tao certa. ( a idade tem certezas. Tem cinquenta anos. Entre a blusa e os seios esta a idade. A idade do mamilo. Esta fresco. Uma pera. Parece. Um pera grande.Doce. Branca.Uma pera dentro de uma blusa)

- A bengala é velha. De pau preto. Morreu sem levar a bengala

Olhou-me. Irritada levou a mao ao peito. Apalpou as mamas. Olhou-me.( podia ver que uma mulher irrita-se com a morte. Uma morte com mulher nao combina)

- Porque queres falar da bengala?

Ameacou-me. Recuei. Sempre gostei de sapatos leves. Amarelos. A cor sempre conta nesta coisa de andar pela rua. Nao faz sentido ter sapatos pretos. Numa cidade cinzenta.

- Acho que nao queria morrer sem bengala

( Pensei rapido) Uma morte tem que ter acompanhantes. Uma supersticao. Um segredo para coisas da morte. Morrer é uma corrida. É preciso levar um presente na morte.Ajuda na corrida. ( arranja a saia. A mao desliza. A ruga separa o baton. Os seios continuam trepados)

- O senhor nao vai apanhar o electrico?

(Perguntou). O electrico continua parado. Esperando o relogio. A hora vale pelos seus segundos. Pelo ponteiro que visualiza o painel do condutor electrico. ( ela desvia o olhar. Parece pensativa. Adulta por uns momentos). A bolsa escorrega. Tropeca na anca. (rapido a mao segura).

- vou apanhar a bengala.

A saia. Uma estore. (penso). O frio assobia, estica a pele.



III



In amor de zinco ( texto que nega terminar, os bares de ostrava nao deixaram) , de jorgematine

quarta-feira, janeiro 24, 2007

A cidade com lua nos dentes

A carlos serra, sem sociologia util


A cidade cheira a mofo. é a cidade dos outros. imaginei eu. que existe uma outra cidade, que anda na boleia da imaginacao. a cidade dos outros, aquela que na realidade cheira a mofo, é uma cidade do indico. porque tudo cheira a mofo, resolvi dar outro nome e outra cidade. porque ninguem gostaria de ir viver numa cidade imaginaria, resolvi chama-la a cidade dos outros.
na cidade dos outros, vivem outros homens, gente da capital. a capital da cidade dos outros.

Na cidade dos outros nao ha noite. Todos vivemos no dia.É dos outros porque roubaram-nos a noite. Ficamos sem estrelas, sem lua e o escuro. Porque quem tira tudo da alguma coisa. Deram-nos o lixo. E eu fiquei triste. Chamei-a cidade dos outros. Como podem roubar uma lua por um entulho de lixo? Quantas estrelas tem o valor de latas de coca cola na rua. Quantas? Apartir de hoje a cidade é deles. Roubaram-nos lua, as estrelas, o escuro. Entao que fiquem com ela. Sem o escuro.

O escuro. No chamanculo o escuro é magico. Era. Aprendemos a amar o escuro. Melhor, a amar no escuro. Fazer TPC na luz da lua. Como era bom ver os zincos com buracos. Amar a lua aos buracos. Dormir com um tecto de buracos de lua. Assim amei o escuro. Tropecar na cegueira da vida. Era assim. No chamanculo.

Lembras te. Do mutumbela. No escuro. Com a lua a fazer gogo. E nos com as vizinhas da brincadeira inventavamos o ngungu. E agora que roubaram-nos a lua? Onde esta a magia de esconder-se, de perseguir a Rosa sem ser ngungulado, onde esta a magia? De correr e tropecar com o lixo e nao com a boca da rosita?

A boca da rosita.era outra coisa. No escuro. Nao tinha muitos dentes. Mas tinha o feitico do escuro. Para que ter dentes se a lua era nossa magia? A boca da rosita. Era minha almofada da noite. Rosita.

Rosita. Era escura. Escura como a noite. Por isso amei-a de noite. Para mim era gemea da noite. As duas andavam sempre juntas. abraçadas. Magra como os caminhos que corriamos, leve como como os zincos que roçavamos. As vezes tinha medo, de a confundir com a noite. Mas eram gemeas, podia beijar as duas.

As vezes ngungulava com as duas. Mas agora com tanto lixo e sem lua onde ngungular? Nao ha noite. Ja nao dormimos. Nao ha noite. Nao ha sonhos. O dia nao quer noite. So quer lixo. Ja nao é a minha cidade. É a cidade dos outros. Quem pode viver sem o escuro, sem lua, sem sonhos. Sem escuro como posso ngungular com a rosita? Entao que fiquem eles com a cidade deles.

A cidade deles. É feita de lixo. Ninguem dorme. A lua é fome, as estrelas sao malaria, o escuro é colera. É a cidade deles.

A cidade deles. Nasci la, cresci la.e vou viver la. No escuro. Mas era o escuro da vida. Do amor sem dentes. Agora a cidade é deles.sem escuro. Hoje quero um apagao. Para inventar a minha cidade.com a lua nos dentes.




 

terça-feira, janeiro 23, 2007

txonaddos e chamboaqueados no jazz da vida II

ao Rufus kapadech

estao a casar, porque a mania da vida prende, o vicio dos naturais e mortais. afinal o dumba nengue esta no fajardo? enganam-se, o lar tem isso. um dumba nengue na mania de familia, legalizar o trade, como dizia a zaida: toma-que-dou, wena pa hip na hop da vida. agora tem que ter sorte, casamento vive se de gorjetas, uma delas chama-se sorte, outra amor, outra amigos, outra filhos, outra cultura, outra money, uma xidjumba de sorte...musiica...agora precisa-se de capulana para amarrar a xidjumba...

quando se malandra um coracao II

...se fuma mano bebe agua...para nadar e nao voar com "pauladas"...Existem numeros, intrigante...numeros do dolar, do metical novo e velho, numero de casa, de telefone. de matricula MLV-01-00...tambem ja estou a ficar paulado...melhor e trabalhar e pagar impostos...eu queria numa machamba amar uma mulher, capina-la, rega-la, aduba-la...fazer da noite a nossa colheita... a vida seria so cebola e cebolinha...estou paulado... la famba bicha

nachingweya I I I- para uma sociologia de pobreza

ao escritor pedro muiambo

...acordei pensando numa grávida...uma sexta-feira podia ser o dia das grávidas...da bebida sem espuma, sem copo...eu gosto das grávidas grandes, aquela grávida de 12 meses, quente, ciumenta...aquela grávida redonda como a Lua, maluca como as putas noites de Maputo...mas seria uma grávida igual as outras, as vezes, podia amar um filho...mas agora sei que não seria uma grávida qualquer como a espuma que bebemos, seria uma grávida de muitas barrigas, meu ventre seria cada barriga destas mulheres de Maputo, para sentir, acaricia-las o umbigo de todos os dias, fazer destas mulheres redondas e meigas, barrigudas e preguiçosas... seriam mulheres feias e princesas pela grávida que amam...então nachingweya hoje quero ser uma grávida...onde cada barraca seria meu aborto e cada sexo meu parto...imaginas a barriga que seria minha nesta noite? todas sextas-feiras tenho sonhos esquisitos...faltam-me pretas para beija-las o umbigo, engravida-las as escondidas, de preferência na chapa de zinco, no murro que desaba e fazer outro africaninho na sombra da acacia, como fazem as barrigas de Maputo...e esta hein? Melhor voltar para cama...

calcuta - homenagem ao utero

as mulheres mano...uma jamaica deixa um utero maluco...nao engravida e nem deixa engravidar...one love marley...prisons for girls...por isso gosto de ama-las as escondidas, no ngungu da vida, beija-las devagar como quem rouba a alma dela...yuska...esse utero que me persegue...mamilo que me inquieta...one love e o utero foge...jah guide

nachingweya I I - para uma sociologia de pobreza

ao menino afonso


herdeiro da vida malandra. a unica coisa que vou herdar sao mulalas e buracos da rua estacio dias...e algumas surumas e balas deixadas pela colombia que nos persegue ate ao suburbio...babalaze de hienas como dizia craveirinha...porque nao gosto de homens sem palavra: como ficou a tua contribuicao para chapa100?...ficou no dumba nengue da vida? vamos trabalhar malandro...nunca te disseram que as mulheres de chamanculo ja nao querem homens que nao tem curso de mukherista?..

nachingweya I - para uma sociologia de pobreza

comer...come, come, come mas come e nao mais come, come porque a fome inveja, a barriga incha, rebenta de ar e nao de comida...come para ter ar e com ar voar, como os baloes de aniversario...asas da fome...come porque a fome tem futuro e a barriga namora so o presente, o prato cheio...come porque morres da barriga como a faca que te corta o bolo...come para amar com kilos, beijar com grandeza...come porque um abraco precisa de forca...come porque a palhota ergue-se com amor mas protege-se com barriga...come come e comemos todos...porque a tua barriga esta alugada... come...afinal de contas nao tens na barriga o lombrigas?...come porque nao estas sozinho...come

xitala mate

...numa chapada, o corpo dorme. a noite ressona, o coracao emigra e a vida esta para um barco. balanca, embala, e no mar que nao dorme a ilha sempre foi assim: o corpo, a chapada e a foto para constelar a memoria de quem nao dorme. e quantas rositas devem ter nascido? numa arvore da imaginacao, do sono de quem na foto so pinta cheias e...

quandro se malandra um coracao

para yuska http://www.fotolog.com/yuska

roubei teu sorriso, esta guardado num embrulho de seda...roubei porque sorriso nao tinha preco...estava aos montinhos, a cebola e o tomate tambem...o preco emigrou com a lagrima...deixaram o sal tambem aos montinhos sem preco...roubei o sorriso, assim como se rouba uma joia cara, embrulhar e depois fugir e fugir sempre...

segunda-feira, outubro 09, 2006

No mukhero da vida, Maputo

No mukhero da vida, Maputo

Como sempre apareces no fim para justificar. Uma coisa romântica da tua parte. Humus. Nestas coisas de caçar mulheres casadas tem destas coisas, vives sempre na expectativa de um olhar distraído para ama-la de novo, roubar um pouco da anca dela, assim como se rouba o ponteiro do relógio. Mas betinha sabe fugir destas coisas, uma arte.

a minha vida. Esta para um pescador sem barco. Estou na margem, lanço a rede de longe, a rede não chega a Maputo. Mas tento. Vivo de saudades. Aqui tem umas brancas que tentam me consolar. Sabes que os seios de uma mulher são sempre quentes e amigas para consolar. E durmo nesse consolo. Bêbado da minha própria saudade.
Passo a vida voando, numa Europa pequena. Finjo que sou internacional. Coisas de um passaporte que sempre precisa de visa para tudo que é Europa. Adoro Londres, sinto-me em casa, tantos negros, tantos indianos, paquistaneses, chineses. Londres é a maior lixeira humana do mundo. Cheira bem, o entulho tem vida, a vida tem beleza porque pode se reciclar. Mas gosto dos parques que são do tamanho do meu chamanculo, dos bazares de rua, do cari indiano, do peixe libanês, da mandioca ghaniana. Assim vivo em Londres. Onde tudo custa muito dinheiro. Todos fingimos que vivemos bem, mas passamos noites a contar trocos e a comer pão com manteiga. A dor de ser internacional.
Praga, tem magia, tenho lá alunos e minha ilha de conhecimento. As mulheres são lindas, parecem lulas da quirimba, são tudo, como uma macua que nunca tive. Porque vive-se barato, posso ser boémio, escrever, jazz ar pelas ruas. A experiencia de dar aulas no pais que não e teu, dói, a língua que maltrata, a cor da pele que te sufoca porque todos não entendem que sou um preto muito grande, muito pais, muito de fome, de guerra civil, de muita luta. Então ensino, e gosto muito, talvez seria essa minha vida para Maputo no futuro.
Futuro. Sempre gostei de ver os outros jogarem berlindes. Ver rolar para um buraco. Fingir que se tem pontaria. Afinar o olho. Fazer batota. Assim parece o futuro na minha terra. Todos fingimos que temos pontaria, mas esperamos que nosso adversário se distraia, para empurrarmos com as mãos, uma batota de crianças, dói mas sempre perdoamos, porque somos crianças. Mas nestes dias dói muito, porque sou adulto. batota-se a vida em Maputo, afina-se o olho e roubam-te a vida, o país. Pena que não há dumba-nengues para sonhos. Porque queria ser mukherista do sonho. Seria fantástico, em vez de vender um vinho vida, venderia um cartão de 5 litros de sonho. Uma banca cheia de sonho.

Mukheros da vida. São os meninos de Maputo. Dizem que são da rua. Porque rua é singular, ruas é plural. Então são das ruas os meninos. Os molwenes como chamaram ZITA. Como ontem estão lá, na rua de Maputo. Limpando um motor Dubai, japan, south africa, and so on. Não jogam berlindes. Jogam a vida. Eram crianças da rua, depois meninos de rua, agora adultos da rua. Conheço-os , Minha gangue. Porque a rua foi a nossa escola, aprendemos que existem muitos papas e mamas. Mas somos filhos de papa e mama incógnitos. Algumas vezes chamam a gangue, para dizer que somos filhos de Moçambique.

Filhos de Moçambique. Eu sou

in vilanculos e lulas

como estas...o papel ou o mamilo? a vontade ou a mentira que consome a mente e desfruta a rua, a acacia que mingua, o beijo que enruga...entao o beijo e as maos devem ter emigrado...para xai xai? e o xi xi? sangrenta a mordomia da mente, da poesia descoberta, nua e sem ancas...sexo malandro? talvez mano.